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Queijo e Enxaqueca: Por Que a Maioria das Pessoas com Enxaqueca Deveria Comer Queijo Todos os Dias

Atualizado em 07/04/2026 por Dr. Alexandre Feldman
Queijo é um alimento natural, tradicional, nutritivo, e ao contrário do que se pensa, não causa enxaqueca
Queijo é um alimento natural, tradicional, nutritivo, e ao contrário do que se pensa, não causa enxaqueca

Queijo causa enxaqueca? Para a esmagadora maioria das pessoas: não. No máximo, pode atuar como desencadeante em algumas pessoas, o que é completamente diferente de ser a causa do problema.

A enxaqueca é uma alteração dos sistemas cerebrais que regulam as sensações, resultando em uma má gestão dos estímulos sensoriais. É dentro desse contexto que qualquer alimento deve ser entendido.

O mito tem origem histórica precisa, documentada, e nada tem a ver com quem sofre de enxaqueca hoje.

Se você considerar que os pacientes que chegam até mim vêm das mais diversas partes do Brasil e do mundo, muitos deles depois de anos sem resposta a nenhum tratamento — uma seleção natural dos casos mais difíceis, mais sensíveis, com crises mais frequentes e mais intensas —, vai perceber que essa orientação não é aleatória. Se queijo realmente prejudicasse a maioria de quem tem enxaqueca, eu não sobreviveria como médico dando esse conselho há décadas. Há quase 40 anos, é comum que eu oriente meus pacientes, inclusive os casos mais graves e refratários, a comer queijo diariamente. O resultado, na prática, confirma o que a biologia explica: queijo não é inimigo de quem tem enxaqueca. Em muitos casos, é aliado.

Se você já eliminou o queijo da sua alimentação com medo de crises, este artigo foi escrito para você.

Vamos então esclarecer de uma vez por todas a relação entre queijo e enxaqueca. Primeiro, a origem do mito — que tem data, nome e contexto precisos. Depois, a realidade sobre como, quanto e qual queijo deve fazer parte da alimentação de quem tem enxaqueca. E por fim, os casos em que o queijo pode, de fato, não cair bem — porque esses também existem, e merecem atenção.

Queijo causa enxaqueca?

Para a esmagadora maioria das pessoas com enxaqueca: não.

O mito tem origem documentada nos anos 1960, em pacientes que tomavam uma classe específica e raríssima de medicamentos. Essa relação nunca se aplicou à população geral — e nunca deveria ter sido generalizada.

É mito que queijo causa enxaqueca

Está escrito em toda parte: “Queijo Desencadeia Enxaqueca”, “Queijo causa enxaqueca”, “Queijo Provoca Enxaqueca”, “Queijo Piora Enxaqueca”, e “Quem sofre de enxaqueca deve evitar ao máximo comer queijo, especialmente o queijo amarelo”.

Será que existe alguém nesse mundo que sofre de enxaqueca e nunca leu ou ouviu isso a respeito do queijo?

Lemos que o queijo contém tiramina, substância química supostamente “de alta periculosidade” para desencadear crises de enxaqueca.

Você mesma, lendo este artigo neste exato momento, pode estar convencida, pelos mais diversos motivos, de que o queijo te desencadeia crises de enxaqueca e já tomou todas as providências para evitar comer queijo, especialmente o queijo amarelo.

O Mito Tem Data de Nascimento: o Que Realmente Aconteceu nos Anos 1960

Tudo começou no início da década de 1960, com o lançamento mundial de uma nova classe de drogas para o combate da depressão e enxaqueca: os chamados inibidores da monoaminooxidase (para ler mais facilmente: MONO AMINO OXIDASE, porém se escreve tudo junto). Essas drogas não servem para o tratamento das crises, mas sim para tratamento preventivo, com a finalidade de minimizar a frequência dos sintomas.

Mas que palavrão é esse, monoaminooxidase? E o que seriam, exatamente, esses remédios inibidores da monoaminooxidase?

Monoaminooxidase é uma substância química encontrada na maior parte das células do corpo. A monoaminooxidase é, na verdade, uma enzima que promove a “quebra” (inativação, degradação) de substâncias do corpo conhecidas como monoaminas, por exemplo adrenalina, noradrenalina e serotonina.

Medicamentos antidepressivos chamados inibidores da monoaminooxidase funcionam  justamente inibindo, bloqueando, esta enzima, a monoaminooxidase, e portanto diminuindo a “quebra”, inativação, degradação dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro.

À medida que esses neurotransmissores deixam de ser degradados, eles se acumulam no cérebro – e doenças como depressão e enxaqueca são tratadas com medicamentos que aumentam os níveis desses neurotransmissores chamados monoaminas, como a serotonina.

Acontece que a enzima monoaminooxidase não degrada unicamente esses neurotransmissores: ela também degrada uma substância chamada tiramina, que se encontra na composição natural do queijo, iogurte, vários tipos de carne, peixes e até verduras. Uma vez ingerida, a tiramina precisa ser inativada, pois o acúmulo de tiramina eleva perigosamente a pressão arterial. E quem se encarrega de inativar a tiramina no nosso corpo é a monoaminooxidase. Portanto drogas que inibem a ação da monoaminooxidase podem provocar o temido acúmulo dos níveis de tiramina no nosso organismo.

Se de um lado o aumento dos níveis de serotonina, noradrenalina e dopamina pode tratar preventivamente a enxaqueca, o acúmulo da tiramina pode ser desastroso: o excesso de tiramina provoca aumento repentino e exagerado da pressão arterial – às vezes tão exagerado que pode causar rompimento de vasos sanguíneos no cérebro.

Tiramina e Enxaqueca: o Que a Ciência Realmente Diz

Como vimos, a tiramina existe naturalmente em vários alimentos, como queijo, iogurte, carnes e verduras. Normalmente a monoaminooxidase degrada essa tiramina ingerida por todos nós, e portanto nenhum efeito nocivo acontece.

MAS se a pessoa toma medicamentos inibidores da monoaminooxidase, a tiramina deixa de ser inativada e vai se acumulando no sangue. Isso é exatamente o que ocorreu na primeira metade da década de 1960, época em que os medicamentos inibidores da monoaminooxidase foram lançados no mercado.

O problema é que ninguém fazia a menor ideia, até então, dessa relação com a tiramina. Tristemente, ocorreram muitas mortes – um verdadeiro surto de hemorragias cerebrais causadas por crise hipertensiva grave, entre pacientes que faziam uso de inibidores da monoaminooxidase.

Ao mesmo tempo, muitos outros desses pacientes tomando inibidores da monoaminooxidase passaram a apresentar crises fortíssimas de enxaqueca e dor de cabeça, causadas por um aumento excessivo da pressão arterial.

Perceba que até então ninguém tinha a menor noção da causa de tudo isso.

Até que, finalmente, um belo dia, um farmacêutico inglês notou que a esposa dele, que fazia uso de inibidores da monoaminooxidase, tinha uma baita enxaqueca cada vez que comia queijo. Ele finalmente estabeleceu a conexão e publicou seu achado em uma revista médica, alertando assim a comunidade científica para a relação entre a tiramina e os inibidores da monoaminooxidase.

Os inibidores da monoaminooxidase foram retirados do mercado por um tempo, e depois reintroduzidos com as devidas precauções. São utilizados até hoje, muito raramente, como último recurso contra enxaqueca e depressão. Para você ter uma ideia, em mais de 25 anos tratando pacientes com enxaqueca eu só precisei prescrever inibidores de monoaminooxidase uma única vez. E quem toma inibidores de monoaminooxidase precisa, obrigatoriamente – aí sim! – seguir uma dieta restrita em tiramina.

Embora a história do queijo provocando enxaqueca tenha sido esclarecida e comprovada com relação, especificamente, a usuários de inibidores da monoaminooxidase (raríssimos), a “carga emocional” da notícia publicada originalmente, dando conta da enxaqueca e dor de cabeça fortíssima em resposta ao queijo persistiu, sobreviveu todos esses anos e deu origem ao mito que lemos e ouvimos em todo lugar até hoje. Convenhamos: é muito mais fácil lembrar (e se impactar) com a notícia que “queijo dá enxaqueca”, do que “queijo dá enxaqueca em usuários de inibidores da monoaminooxidase”. E o mito continua.

Nos anos seguintes, pesquisadores tentaram reproduzir o efeito da tiramina em pessoas com enxaqueca que não usavam inibidores da MAO. Os estudos, em sua maioria, não encontraram relação consistente. A razão é simples: com a enzima MAO funcionando normalmente, a tiramina ingerida é metabolizada antes de exercer qualquer efeito sistêmico. O sistema funciona exatamente para isso. Quando existe sensibilidade individual à tiramina, ela é exceção — não regra. E tratar exceções como regras universais tem um custo real para quem sofre de enxaqueca: restrições desnecessárias, dieta empobrecida e uma falsa sensação de controle sobre a doença.

Queijo é bom e nutritivo. Vamos, em seguida, analisar a realidade.

Queijo pode ser benéfico para quem tem Enxaqueca

Queijo pode ser um alimento adequado, e muitas vezes vantajoso, dentro de uma estratégia alimentar mais estável para quem tem enxaqueca.

A realidade é que a imensa e esmagadora maioria de quem sofre de enxaqueca não tem nenhum problema em comer queijo.

Embora muitos possam, à primeira vista, discordar!

Vitrine de loja de queijos
Loja de queijos em Paris. Cententas de tipos de queijo na vitrine. Se queijo provocasse enxaqueca, os franceses deteriam o recorde mundial da doença.

Vejo diariamente a reação de pacientes perplexos quando digo que queijo não faz mal. Eles relutam, afirmando: “Mas outro dia comi pizza de queijo e me deu enxaqueca”, ou “Comi uma massa com queijo e horas mais tarde tive uma crise”. Em resposta, ofereço outra pergunta:

O que mais tinha naquele prato além do queijo?

A gente lê e ouve tanto (inclusive de médicos!) sobre o queijo, que queijo faz mal para enxaqueca, queijo amarelo é pior ainda e quem sofre de enxaqueca não pode comer queijo – que esquece de se perguntar quais outros ingredientes poderiam ter desencadeado enxaqueca e dor de cabeça, naquele mesmo prato, além do queijo. 

Quanto glutamato monossódico (realçador de sabor muitíssimo utilizado em restaurantes e algumas residências) tinha naquele prato? Que outros ingredientes “químicos” estavam escondidos? Não poderia ser o caso de um desses outros ingredientes ter desencadeado, na realidade, a dor de cabeça e enxaqueca, enquanto que o queijo acabou “pagando o pato”, porque já tem toda uma má fama ao redor dele?

E fora aquele prato, o que mais você comeu naquela refeição? De entrada? De sobremesa? Para beber? Tudo isso pode ter desencadeado a enxaqueca, com probabilidade bem maior que o queijo. Mas a maioria de nós focaliza apenas no queijo, de tanto que já leu de ruim a respeito dele. Mas não é verdade. Ruim mesmo é “química” nos alimentos, e disso muito pouca gente se lembra.

É preciso também considerar a questão de horário: você comeu mais tarde que o normal? Precisou esperar na fila do restaurante lotado? E a carga emocional envolvida? Você estava calma? Nervosa? Pegou muito trânsito, chegou atrasada? Precisou comer muito depressa porque tinha compromisso? Não se hidratou o suficiente? Tantas coisas podem ter fugido da rotina, e nós continuamos, teimosamente, a atribuir todos os problemas ao coitado do queijo. Por que não dar ao queijo uma chance?

Quanto Queijo? 

Muita gente que tem enxaqueca já nem come queijo no dia-a-dia, de medo.  Quando acaba comendo um queijo mais gorduroso (e os melhores queijos são gordurosos), 30 minutos depois começa a sentir náuseas, mal-estar, por vezes vômitos, dor de cabeça e até uma crise de enxaqueca. Acaba culpando o queijo.

Acontece que, na maioria desses casos, quem provocou o problema foi a quantidade de gordura ingerida.

É importante explicar: na verdade, gordura de origem animal faz bem, ao contrário do que muitos ainda pensam e orientam. Muito mais bem que a quase totalidade dos óleos e gorduras vegetais das prateleiras de supermercados (quer saber mais sobre isso? Leia meu livro.  Acontece que a maioria das pessoas ainda morre de medo de gordura de qualquer tipo, por isso há tempos cortou drasticamente a gordura da alimentação quotidiana. Daí, um dia, quando come um alimento mais gorduroso, o organismo não estava preparado para receber essa quantidade a mais de gordura (em comparação à rotina dessa pessoa, quase sem gordura), por isso “se ressente” e você passa mal, naturalmente.

Se você se identifica com esta situação, a solução é, no início, comer pouco queijo. Introduza o queijo, pouco a pouco, na sua rotina diária, não importando se branco ou amarelo. Não exagere. Com o tempo, seu corpo adequará os mecanismos digestivos necessários para acomodar quantidades maiores de gordura de origem animal dentro de sua alimentação, sem que você passe mal.

Que Tipo de Queijo?

Eu não vou ficar mencionando marcas, mas digo a vocês que prestem atenção para não consumir “queijo químico”, aquele que vem com conservantes e Deus-sabe-o-que-mais. Principalmente aqueles queijinhos que vêm super embrulhados em papel alumíniio e que você nem vê o queijo por dentro da embalagem. Leia os rótulos e não compre queijos que não contenham apenas e tão-somente queijo. Nada de versões  light, desnatadas ou semi-desnatadas. Coma o queijo do jeito que a natureza o criou. Simples assim.

Não é difícil encontrar queijo de verdade. Quer um lanche e não levou seu queijo de casa? Passe na padaria, mercearia, mercado, sacolão ou supermercado e compre 100g de mozzarella, por exemplo. Ou outro queijo de verdade. Tem dúvida? Siga-me no Instagram, lá eu posso publicar (entre outras coisas) fotografias dos queijos que eu como no dia-a-dia, quase sempre como ingredientes de outros pratos. Assim você poderá se informar e se inspirar.

Queijo Derretido Pode Não Cair Tão Bem

É bom que você saiba: é mais provável o queijo derretido te causar algum mal-estar, que o queijo no estado natural (não derretido). Por via das dúvidas, se você tem alguma suspeita com relação ao queijo, praticamente não comia queijo, mas tendo lido este artigo, deseja dar ao queijo uma nova chance (que bom!), então é mais seguro não comer queijo derretido pelos 3 meses iniciais.

O queijo derretido é muito mais difícil de digerir, além do que o calor modifica a estrutura tridimensional das proteínas do queijo, tornando todo o processo de “incorporação” pelo nosso organismo mais estressante (estressante no sentido de “difícil” para o organismo), em comparação ao queijo não derretido.

Mas E a Lactose?

A lactose é um açúcar: o açúcar do leite. Do mesmo jeito que a glicose, a frutose e a sacarose são açúcares, a lactose também é um açúcar. No meu livro, explico como e porque açúcar em excesso não faz bem para quem tem enxaqueca. Isso vale para qualquer açúcar, inclusive a lactose.

Leite tem lactose, é verdade, e deve ser evitado ao máximo se você sofre de enxaqueca. Por mais problemática que seja a lactose, o problema maior – ou seja, o maior componente pró-inflamatório (e portanto pró-enxaqueca) do leite está na proteína dele, e não na lactose. Maiores detalhes você pode encontrar neste meu artigo intitulado “Troque Leite Por Iogurte”.

O queijo, assim como o iogurte (desde que naturais e preparados sem atalhos industrializados), são versões praticamente sem lactose, ou com quantidade muito reduzida de lactose, do leite do qual derivam.

Explico: para fazer queijo ou iogurte (ou kefir de leite, ou piima), é necessário que os lactobacilos (bactérias “do bem”, presentes naturalmente no leite), comam a lactose contida nesse leite. Conforme digerem a lactose, os lactobacilos produzem e eliminam ácido lático, que devido à sua acidez, coagula a proteína do leite – em outras palavras, coalha o leite em iogurte ou coalhada. Esse leite coalhado é um passo necessário para a preparação do queijo. 

Portanto, podemos afirmar que os derivados fermentados do leite, como quejo, coalhada e iogurte, possuem muito pouca, ou até quase nenhuma lactose (dependendo do tempo de fermentação), em comparação ao leite propriamente dito.

Melhor ainda: o processo químico de coagulação da proteína do leite, durante a fermentação, neutraliza as características pró-inflamatórias da proteína do leite (veja o artigo do link logo acima para maiores explicações).

De modo que uma coisa é LEITE, e outra completamente diferente é QUEIJO e IOGURTE. Estes últimos podem ser consumidos pela imensa maioria das pessoas.

Acontece que, atualmente, médicos e nutricionistas, infelizmente, colocam “leite e derivados” no mesmo cesto, na mesma lista de alimentos nocivos e proibidos, quando na verdade não é assim, pelas razões acima. E o que acontece? Muitas pessoas acabam seguindo a orientação de suspender leite e derivados, e melhoram da enxaqueca. Claro que isso é de se esperar, pois eles suspenderam o leite. Mas o que não sabiam é que não precisava ter suspendido os derivados fermentados do leite, como o queijo e iogurte naturais. Com raras exceções, bastava ter suspenso o leite para obter a mesma melhora e bem-estar. Portanto fique esperto e use as informações a seu favor. Dê uma chance ao queijo e iogurte. Sempre integral, e nunca desnatado. A gordura do leite possui propriedades muito benéficas à saúde.

Cuidado apenas para, ao consumir estes produtos, começar aos poucos, pois afinal são gordurosos e, se você vinha evitando sistematicamente as gorduras, podem causar mal-estar digestivo e náuseas, causando-lhe a falsa impressão de você seria “intolerante” a esses alimenos. Na dúvida, comece com bem pouco mesmo. Um pedacinho de queijo ou uma colher das de sopa de iogurte natural e integral. Mas continue evitando ao máximo o leite.

Aprenda a Fazer Queijo em Casa

Cream Cheese caseiro
Cream Cheese Caseiro de Pat Feldman

Você pode fazer facilmente um delicioso cream cheese caseiro a partir de puro iogurte natural. Fazemos bastante em casa, e você pode pegar a receita no site da minha esposa, a culinarista Pat Feldman. Fazendo seu próprio queijo, você terá a certeza de que não houve adição de produtos químicos e que você utilizou as melhores matérias-primas. Além de ser muito divertido e gostoso, ao cuidar de sua alimentação você estará se cuidando. (Esse cream cheese é realmente fácil de fazer, ainda que você não tenha nenhuma familiaridade com a cozinha. Aliás é um ótimo primeiro passo para começar a perder o medo e gostar de fazer comida)

Comendo Queijo, Você Deixa de Comer Alimentos Problemáticos

Vivemos rodeados de “produtos alimentícios” industrializados repletos de conservantes, estabilizantes, emulsificantes, flavorizantes, realçadores, corantes, “sabor idêntico ao natural”, derivados petroquímicos, óleos oxidados e assim por diante. Parte do processo de recuperação da saúde e melhora da doença compreende uma desintoxicação, pelo menos temporária, de modo que o organismo tenha energia suficiente para se recuperar, de dentro par fora.  Então o melhor é se afastar o quanto mais dessa alimentação tóxica presente na rotina que já se tornou subconsciente do dia-a-dia.

E o que há de melhor que um bom queijo para substituir? Leve, por exemplo, queijo para seu lanche. Pode preparar palitinhos de queijo com uma folha de manjericão e um tomatinho-cereja, e levar na bolsa, maleta ou sacola. Infinitamente melhor que um saquinho de salgadinhos.

Acima de Tudo, Respeite Seu Organismo

“Queijo não é prejudicial para todas as pessoas indistintamente; algumas podem se empanturrar de queijo sem o menor problema – mais que isso: as pessoas para as quais o queijo cai bem são maravilhosamente fortalecidas por ele. Outros passam mal comendo queijo. Portanto, a constituição dessas pessoas difere uma da outra.”

Hipócrates, pai da medicina (Grécia Antiga, cerca de 450 A.C. – De Prisca Medicina, Parte 20, Página 55, extraído de Hippocrates Collected Works I. Hippocrates. W. H. S. Jones. Cambridge. Harvard University Press. 1868, disponível online aqui.

A afirmação de Hipócrates continua verdadeira nos dias de hoje, 2500 anos despois de formulada: assim como qualquer alimento, tem gente que simplesmente não se dá bem com o queijo. Você pode ter lido este artigo, dado uma nova chance ao queijo e finalmente chegado a esta triste conclusão. É pouco provável que isso realmente aconteça, porém se acontecer, não se preocupe: neste caso, pense assim:  o queijo pode fazer bem para os outros, mas não para você. E isso vale não só para o queijo, mas para qualquer item de sua alimentação.

Perguntas frequentes sobre queijo e enxaqueca

Queijo causa enxaqueca?

Para a esmagadora maioria das pessoas com enxaqueca: não. O mito tem origem documentada nos anos 1960, quando pacientes em uso de uma classe específica e raríssima de medicamentos — os inibidores da monoaminooxidase — reagiam mal à tiramina presente no queijo. Essa relação nunca se aplicou à população geral. Pesquisas posteriores não encontraram associação consistente entre consumo de queijo e crises de enxaqueca em pessoas que não usam esse tipo de medicamento.

Queijo amarelo é pior para enxaqueca do que queijo branco?

Não há evidência científica que sustente essa distinção. A diferença entre queijos brancos e amarelos está no processo de maturação e nos ingredientes utilizados — não em um risco diferenciado para quem tem enxaqueca. O que importa, de fato, é a composição do queijo: deve ser queijo de verdade, sem conservantes, estabilizantes ou outros aditivos químicos.

O que é tiramina e por que a associam ao queijo e à enxaqueca?

Tiramina é uma substância presente naturalmente em queijo, iogurte, carnes, peixes e algumas verduras. Em condições normais, ela é rapidamente metabolizada pela enzima monoaminooxidase antes de causar qualquer efeito no organismo. A associação com enxaqueca surgiu porque pacientes que usavam medicamentos que bloqueiam essa enzima — os inibidores da MAO — acumulavam tiramina no sangue, o que provocava crises hipertensivas graves e enxaqueca intensa. Fora desse contexto específico, a tiramina do queijo não costuma representar risco para quem tem enxaqueca.

Devo cortar queijo da minha dieta por ter enxaqueca?

Na grande maioria dos casos, não. A restrição só se justifica se você observar, com critério e atenção, uma relação consistente e reproduzível entre o consumo de queijo e o início das suas crises — descartando outras variáveis como horário da refeição, estresse, hidratação, outros ingredientes do prato e qualidade do sono. Na ausência dessa relação clara e repetida, eliminar o queijo é uma restrição desnecessária que empobrece a dieta sem trazer benefício clínico real.

Como saber se o queijo está desencadeando minhas crises de enxaqueca?

O teste mais confiável é a observação isolada: coma queijo natural, integral, sem outros ingredientes suspeitos, em um contexto de rotina estável: horário normal, sem estresse, bem hidratado, com sono adequado. Faça isso em diferentes ocasiões. Se as crises aparecerem de forma consistente apenas nessas circunstâncias, aí sim há uma pista real.

Preciso suspender leite e derivados por causa da enxaqueca?

Leite, sim — tem boas razões clínicas para evitá-lo. Mas “derivados” é uma categoria muito ampla, e colocar tudo no mesmo cesto é um erro frequente de médicos e nutricionistas. Queijo e iogurte naturais passam por fermentação com lactobacilos, que consomem a lactose e modificam a estrutura proteica do leite, reduzindo seu potencial inflamatório. São metabolicamente diferentes do leite. Na maioria dos casos, suspender apenas o leite já é suficiente para obter a melhora esperada — sem precisar abrir mão do queijo, do iogurte ou da manteiga.

Cortei leite e derivados e melhorei da enxaqueca. Significa que queijo também me faz mal?

Não necessariamente — e essa é uma das confusões mais comuns. A melhora quase certamente veio da retirada do leite, não do queijo. Como os dois foram suspensos juntos, o queijo acabou levando crédito (ou melhor, culpa) que provavelmente não é dele. Vale reintroduzir o queijo natural e integral com critério, observando se as crises retornam. Na maioria dos casos, não retornam.

Posso comer queijo se tenho intolerância à lactose?

Na maioria dos casos de intolerância à lactose, sim. O processo de fermentação que transforma leite em queijo consome grande parte da lactose originalmente presente. Queijos mais maturados têm teor de lactose muito reduzido; às vezes praticamente zero. O problema costuma ser o leite em si, não o queijo. Como sempre, a resposta individual varia: comece com quantidades pequenas e observe sua tolerância.

Queijo derretido é diferente de queijo natural para quem tem enxaqueca?

Pode ser, especialmente durante a reintrodução do queijo após um período de restrição. O calor modifica a estrutura das proteínas do queijo, tornando a digestão mais exigente para o organismo. Se você estava há muito tempo sem comer queijo e quer reintroduzi-lo, é mais prudente começar pelo queijo não derretido nos primeiros meses, e só depois incluir queijo gratinado, derretido em massas ou fondues.

Conclusão: Queijo Não Causa Enxaqueca. Pelo Contrário.

O mito de que queijo provoca enxaqueca tem origem conhecida, data precisa e contexto específico.E esse contexto nunca se aplicou à população geral de pessoas com enxaqueca. Ele nasceu de uma observação legítima sobre pacientes em uso de medicamentos raríssimos, foi amplificado pela carga emocional da notícia original, e sobreviveu décadas sem que ninguém parasse para questionar a generalização.

A biologia conta uma história diferente: Queijo natural e integral não contém lactose relevante, não tem efeito pró-inflamatório (ao contrário do leite do qual deriva) e não apresenta relação consistente com crises de enxaqueca em estudos realizados com a população geral. A tiramina presente no queijo, em pessoas com a enzima MAO funcionando normalmente, é metabolizada antes de exercer qualquer efeito sistêmico. O sistema funciona exatamente para isso.

Na prática clínica, ao longo de quase 40 anos dedicados ao tratamento da enxaqueca, oriento sistematicamente meus pacientes a incluir queijo na alimentação diária. Inclusive, e especialmente, os casos mais graves, mais sensíveis, mais refratários. O resultado confirma o que a biologia explica.

Isso não significa que nenhuma pessoa com enxaqueca possa ter sensibilidade individual ao queijo. Significa que essa sensibilidade, quando existe, é exceção, não regra. E tratar exceções como proibições universais tem um custo real: dietas desnecessariamente restritivas, empobrecimento alimentar, substituição do queijo por produtos industrializados muito mais problemáticos, e uma falsa sensação de controle que desvia o foco do que realmente importa no tratamento da enxaqueca.

Se você eliminou o queijo da sua alimentação com base no mito, vale reconsiderar. Reintroduza com critério, aos poucos, observando sua resposta individual. Na maioria dos casos, você vai descobrir que o queijo não era o problema, e que pode voltar a apreciá-lo sem culpa e sem crise.

Tópico: A Enxaqueca/ Alimentação/ Desencadeantes/ Estilo de vida

Sobre Dr. Alexandre Feldman

Médico (CRM-SP 59046) com quase 40 anos de prática clínica, dedicado ao tratamento de enxaqueca e dor de cabeça persistente, incluindo cefaleias crônicas e outras cefaleias primárias, como cefaleia em salvas, hemicrania paroxística crônica, hemicrania contínua e cefaleia tensional. Seu trabalho é orientado pela compreensão dos mecanismos biológicos da dor, integrando fisiologia, metabolismo, sono, ritmo circadiano, alimentação e estilo de vida, com foco no controle de longo prazo, não apenas no alívio pontual das crises. Autor do best-seller Enxaqueca - Só Tem Quem Quer, e de diversos outros livros sobre enxaqueca publicados desde os anos 1990, incluindo "Cefaleias Primárias - Diagnóstico e Tratamento" (Editora Artes Médicas, 1995), voltado para médicos. Desde 1998, mantém o site Enxaqueca.com.br, no ar há quase 30 anos. Atende presencialmente em São Paulo e online para pacientes no Brasil e no exterior.

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