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O uso frequente de analgésicos comuns pelos portadores de enxaqueca pode acarretar em dependência.

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Topiramato - Nova droga para enxaqueca Consultas com Dr. Alexandre Feldman

(leia no final o depoimento de internautas)

O topiramato (nome químico dos remédios Topamax e Amato), tem ganho muito destaque na imprensa e tem sido a grande estrela em congressos médicos de dor de cabeça no Brasil.

Por ser tão falado e badalado, está se transformando no remédio da hora, na bola da vez para enxaqueca. Os pacientes mais "antenados", devoradores de notícias sobre enxaqueca, já estão perguntando a seus médicos se o topiramato (Topamax, Amato) não seria a solução definitiva para seus problemas. Muitos destes médicos chegam a sentir-se praticamente obrigados a prescrevê-los, sob pena de serem taxados de desatualizados, obsoletos ou retrógrados.

Infelizmente, a meu ver, o topiramato (Topamax, Amato) não é, nem jamais poderá ser, a resposta que a maioria dos sofredores de enxaqueca anseia. Ele pode ser, e é, um recurso útil apenas e tão somente para uma pequena minoria deles.

Em primeiro lugar, é bom esclarecermos que o topiramato (Topamax, Amato) é um remédio que foi originalmente descoberto, patenteado e registrado com sendo para epilepsia, não para enxaqueca. Pesquisas posteriores acabaram revelando que esta droga possuía a capacidade de diminuir a freqüência das crises de enxaqueca em uma certa porcentagem de seus usuários. Mais uma vez, a enxaqueca "pega carona" em algum remédio de outra especialidade. A mesma história que ocorreu com antidepressivos, remédios para pressão, coração, circulação, antialérgicos, etc, está ocorrendo com alguns remédios para epilepsia, dentre os quais o topiramato (Topamax, Amato).

Ocorre que para a indústria desenvolver e estudar remédios preventivos específicos, apenas para enxaqueca, os custos seriam muito altos em comparação com os benefícios. Digamos assim: desenvolver um remédio preventivo específico para enxaqueca não é um negócio "rentável"...

A conseqüência é que os pacientes e seus médicos, simplesmente, acabam tendo de se virar com o que tem por aí. O fato de um remédio para epilepsia funcionar também na enxaqueca, indica que esta droga "atira para todos os lados". Acerta o alvo da epilepsia, e, em alguns casos, o alvo da enxaqueca. O problema de se "atirar para todos os lados" é que pode-se acabar por atingir também, alvos totalmente inocentes. E aí aparecem os temíveis efeitos colaterais.

Entretanto, nós todos sabemos que qualquer fabricante de qualquer produto nesse mundo não tem interesse em divulgar o lado negativo de seus produtos, e quando é obrigado a fazê-lo, tende a minimizá-lo. Afinal, qual é a mãe que falaria mal do próprio filho? Qual o fabricante que falaria mal do próprio produto?

O topitamato (Topamax, Amato), como eu disse, pode ser útil em alguns casos, mas infelizmente este benefício, quando ocorre, pode vir acompanhado de desagradáveis efeitos colaterais. O topiramato (Topamax, Amato) pode aumentar significativamente as chances de desenvolver pedras nos rins. Pode interferir com a função mental, provocando lentidão psicomotora, dificuldade de concentração, nervosismo, agressividade, anorexia, formigamentos, depressão, fala "arrastada", dificuldade de se lembrar das palavras, distúrbios da atenção, sonolência e fadiga. Interfere negativamente no efeito da pílula anticoncepcional. Ao ser administrado para ratas grávidas, provocou o aparecimento de malformações no crânio e na face dos ratinhos bebês, além de uma redução no peso e no processo de sossificação dos fetos. Ainda em ratos, que receberam tratamentos prolongados com topiramato, ocorreu um aumento significativo na incidência de tumores na bexiga. Em seres humanos, o topiramato (Topamax, Amato) pode interferir na ação de outras drogas que o indivíduo esteja tomando, como calmantes, alguns diuréticos, outros antiepiléticos e, como já mencionei, hormônios estrógenos.

Se a administração de topiramato (Topamax, Amato) for interrompida bruscamente, podem ocorrer convulsões mesmo em quem nunca sofreu de epilepsia na vida. Portanto, essa droga deve ser descontinuada lentamente, especialmente quando as doses receitadas forem altas.

Ah, mas se pelo menos o topiramato (Topamax, Amato) acabasse de vez com a enxaqueca, será que mesmo assim não valeria a pena?

O topiramato (Topamax, Amato), segundo um estudo amplamente divulgado pelo seu fabricante, conseguiu reduzir uma freqüência média anual de 5,4 para 3,3 enxaquecas por mês, quando numa dose de 100 mg por dia. Para mim, esse resultado não é impressionante o suficiente para expor meus pacientes, em massa, aos desagradáveis efeitos colaterais.

O que é muito impressionante no topiramato é o custo. O preço de uma caixinha de Topamax com 60 comprimidos de 100 mg, cotado em duas grandes farmácias de São Paulo, no dia 26 de abril de 2003, foi de R$ 298,86. Alguns pacientes precisam tomar até dois comprimidos ao dia.

Este remédio é complicado, apresenta efeitos colaterais até no bolso do paciente!

Com tudo isso, vocês devem estar imaginando que eu sou contra remédios, e particularmente contra o topiramato (Topamax, Amato). Mas a coisa não é assim.

Eu não sou contra o remédio. Eu inclusive o receito a alguns dos meus pacientes, em doses bem baixas. A minha crítica é a falta de divulgação adequada dos possíveis efeitos colaterais e, principalmente, ao abuso na prescrição deste e de outros remédios.

Os remédios devem ser prescritos e tomados conscientemente. Eles podem melhorar apenas os sintomas, porém jamais atuam na causa da doença.

Na minha opinião, o controle da enxaqueca se obtém através de uma ação conjunta envolvendo mudanças de hábito alimentar, de sono, de exercício e também remédios preventivos (que em alguns casos podem até ser o Topamax) e para crise. Colho os resultados destas medidas na prática, quando posso dar alta aos meus pacientes.

Leia a íntegra da crítica do Dr. Alexandre Feldman à matéria da revista VEJA sobre enxaqueca e Topamax, clicando aqui.

Leia mais sobre a minha visão da enxaqueca no livro Enxaqueca - Só Tem Quem Quer .

Depoimentos de Internautas:

1. De Silvia, via e-mail (silvinhaalmada [arroba] hotmail.com)

Dr.,

Achei muito interessante o que o senhor escreveu sobre o Topiramato, pois dia 16/07/08 tive a infelicidade de tomar 1/2 comprimido, para tratamento de enxaqueca. Após uma hora, tive um início de Choque Anafilático, trancando minha garganta, tendo edema na face e nas extremidades e formigamentos pelo corpo todo.Fui parar no hospital e tomei 2 injeções de anti-alérgico e 1 comprimido de Allegra.A Sensação de formigamento e peso nos Membros inferiores e superiores continuaram durante 24 horas.

Apenas queria deixar aqui minha experiência com o tal medicamento.

 

2. De Daura, via e-mail (dauravigna [arroba] ibest.com.br)

Dr. Alexandre,

Comecei a pesquisar sobre o Topamax em função de uma experiência terrível que tive com o mesmo. Tenho enxaqueca no período pré-menstrual e já tenho uma rotina pré-estabelecida com meu médico. Procuro nunca tomar remédios sem seu conhecimento.

Mas, dia desses, cometi a tolice de aceitar um "infalível" comprimido para a enxaqueca... "última geração"... "sucesso na VEJA"... Burrice! Tomei um comprimido de Topamax.

A enxaqueca não passou e, ainda por cima, tive uma reação "totalmente adversa a mim mesma": Além do formigamento nas pernas e nos braços, me perdi dentro de meu próprio quarto e não encontrava minha cama king size. Fiquei totalmente desorientada geograficamente. Ao acordar meu marido para pedir-lhe ajuda, não conseguia dizer, pronunciar o que estava acontecendo. As palavras fugiam da boca, da mente.

Pensamos que o efeito passaria em algumas horas, mas 14 horas depois, tive que ir para o hospital, pois eu estava muito estranha. Tinha vontade de rir e de chorar. Ria como uma bêbada, e olhe que nunca tomei um porre. Fiquei eufórica (ou melhor seria dizer, histérica?). Meu médico indicou potássio no soro para tentar eliminar o efeito. Só me vi livre do pesadelo 24 horas depois, mas totalmente recuperada da crise da enxaqueca e da crise "Topamaxsiva", em 48 horas.

Gostei muito de seu artigo criticando a reportagem de Veja, não só pelo teor científico, mas também pelo nível de criticidade e bom uso da língua portuguesa.

3. Boa noite Dr.,

Eu, graças a Deus, não li essa reportagem na Veja pois sou uma das muitas pessoas que tomaram esse Topamax e que, no final, só gastaram muito dinheiro e nada da dor de cabeça melhorar.

Vou contar a minha história:

Em final de julho do ano passado fui a uma neurologista, muito famosa aqui em Belo Horizonte. Saí do consultório com a receita para comprar caixas de Topamax de 25 mg e de 50 mg e com nenhum pedido de exames.

Nos primeiros quinze dias, meio comprimido pela manhã e mais meio comprimido a noite.

Na terceira e quarta semanas eu já tomava 25 mg pela manhã e 25 mg a noite.

Na quinta e sexta semanas eu já tomava 37,5 mg pela manhã e 37,5 mg a noite.

Na sétima e oitava semanas eu já tomava 50 mg pela manhã e 50 mg a noite.

Na nona e décima semanas eu tomava então 62,5 mg pela manhã e 62,5 mg a noite.

Na décima primeira e décima segunda semanas eu já tomava 75 mg pela manhã e 75 mg a noite.

Na décima terceira e décima quarta semanas tomava 87,5 mg de manhã e 87,5 mg a noite.

Na décima quinta e décima sexta semanas 100 mg pela manhã mais 100 mg a noite.

Na décima sétima e décima oitava semanas tomava 112,5 mg pela manhã e mais 112,5 mg a noite.

Na décima nona e vigésima semanas a dose era 125 mg pela manhã e mais 125 mg a noite.

Na vigésima primeira e vigésima segunda semanas já tomava 150 mg pela manhã e 150 mg a noite.

O remédio me causava terríveis tremedeiras na boca, minha visão ficava turva e o pior, quando eu tomava doses baixas desse Topamax as dores haviam melhorado cerca de 20%, mas conforme as doses foram aumentando as dores pioraram! Vinham mais fortes do que nunca!

Depois que parei o remédio (por conta própria) entrei em depressão – no decorrer do tratamento eu sentia um desânimo total, mas nem imaginava que estava depimida, até me ver em uma depressão profunda – tive que recorrer aos anti-depressivos.

Eu não sabia deste efeito colateral do Topamax, fiquei sabendo hoje, após ter recebido seu e-mail (referente ao boletim enviado pelo Dr. Alexandre Feldman alertando sobre os possíveis efeitos colaterais do medicamento).

Eu sou casada e tomo “Diane” (pílula anticoncepcional). Perguntei a esta médica se o tratamento com Topamax não interferia com a pílula, pois não pretendo ter filhos agora. Ela me disse que não corria risco algum. E olha só o risco que corri!

A médica disse que no meu caso as dores estavam fortes por reação ao Topamax!

Desde então nunca mais gastei meu dinheiro, quase R$ 500,00 por mês, com o tal Topamax, mais a consulta.

Tenho uma amiga que também não obteve sucesso com este novo medicamento.

Uma pena sua clínica ser longe de Minas Gerais. Nós mineiros precisamos de sua clínica aqui também.

Desculpas pelo meu desabafo, mas fiquei chateada de gastar dinheiro com um remédio que tem muitos efeitos colaterais e não resolve as dores de cabeça, mas sim chega a piorá-las.

Eu por natureza tenho dores incapacitantes, logo não preciso gastar dinheiro para piorá-las ainda mais.”

 

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