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Cymbalta - Será que o remédio cumpre tudo que promete?

Foi matéria de capa da revista Época e matéria de duas páginas na Veja, em 2004. Conhecida por Cymbalta, a droga, assim como outras da mesma família, age sobre a serotonina e a noradrenalina, neurotransmissores também envolvidos na enxaqueca. Ou seja, estamos diante mais um remédio que a enxaqueca vai acabar "emprestando" de outras especialidades.

O Cymbalta (duloxetina) é um antidepressivo. Pertence a uma classe de drogas conhecidas como duplos inibidores de recaptação. O que é isso? Os neurotransmissores são liberados por um neurônio e são captados por outro. Uma pequena quantidade de neurotransmissor é enviada de cada vez, de um neurônio para outro. Após o envio e recebimento dessa quantidade, o neurotransmissor que ficar "sobrando" no espaço entre um neurônio e o outro é absorvido pelo primeiro, aquele que o liberou. Esse processo recebe o nome de recaptação. Um inibidor da recaptação de um dado neurotransmissor impede esse processo, o que significa que sob a vigência do Cymbalta (duloxetina), certos neutrotransmissores são enviados em fluxo contínuo e sentido único, e não mais da forma natural, pulsátil e em "mão dupla". Os neurotransmissores afetados pelo cymbalta (duloxetina) são a serotonina e a noradrenalina. O termo duplo inibidor de recaptação refere-se a uma droga que afeta a recaptação de dois neurotransmissores ao invés de um.

O medicamento Cymbalta (duloxetina), não tem nada de novo em comparação a outros duplos inibidores de recaptação já existentes no mercado, como o Efexor (venlafaxina).

Os efeitos colaterais do Cymbalta (duloxetina) são comuns: náuseas, sonolência, cansaço/fadiga, fraqueza, ansiedade, agitação, febre, vertigens, insônia, pesadelos, boca seca, intestino preso, hipersensibilidade da pele à luz do sol, alterações do apetite e do peso, alterações no desejo sexual e dores de cabeça (sim, é isso mesmo! Dores de cabeça podem ocorrer em 13 a 20% dos usuários da droga). Efeitos colaterais menos comuns compreendem dificuldade para urinar, aumento da frequência urinária, visão embaçada, sudorese excessiva e batimentos cardíacos irregulares, sudorese excessiva, coceiras no corpo, ondas de calor, vômitos, anorexia, alterações do paladar, flatulência, disfunção erétil, dores musculares, visão embaçada, infecções respiratórias, tosse, acne, agressividade, queda de cabelos, reação anafilática, afta (estomatite aftosa), bloqueio de ramo cardíaco, insuficiência cardíaca congestiva, colite, aumento da pressão diastólica ("mínima"), visão dupla, desorientação, diverticulite, disartria, úlcera, gastrite, gengivite, glaucoma, alucinações, insuficiência hepática, esteatose hepática, hepatite, hepatomegalia, aumento das bilirrubinas, aumento dos níveis de colesterol, hiperglicemia, crise hipertensiva, hipotireoidismo, síndrome do intestino irritável, ceratoconjuntivite, icterícia, leucopenia (diminução dos glóbulos brancos), degeneração macular da retina, infarto do miocárdio, urgência miccional, flutuações de humor, espasmos musculares, queda de pressão arterial, descolamento de retina, convulsões, síndrome serotoninérgica, síndrome de Stevens-Johnson, suicídio, retenção urinária. O aparecimento e a intensidade dos efeitos colaterais varia de paciente para paciente.

Um efeito colateral importante e comum a quase todos os pacientes é sentido no bolso. As novas drogas antidepressivas são sempre caras.

A duloxetina (Cymbalta) interage negativamente com o álcool, o ácido acetil-salicílico (aspirina) (pode aumentar o efeito antiagregante plaquetário da mesma), calmantes, anticonvulsivantes e outros remédios depressores do sistema nervoso central (risco de aumento dos efeitos tóxicos destas drogas, quando tomadas em combinação com duloxetina), codeína (a duloxetina pode diminuir o efeito da codeína), medicamentos inibidores da monoaminooxidase (síndrome serotoninérgica, que pode ser letal), antiinflamatórios não esteróides (aumento do efeito antiagregante plaquetário destes, quando em combinação com a duloxetina), moduladores da serotonina (risco de síndrome serotoninérgica, potenciamente letal), sibutramina (síndrome serotoninérgica), tramadol (diminuição do efeito do tramadol pela duloxetina), antidepressivos tricíclicos (diminuição do metabolismo dos mesmos pela duloxetina), fitoterápicos como valeriana, erva-de-são-joão e kava-kava (aumento da depressão do sistema nervoso central quando em combinação com a duloxetina). A boca seca, possível efeito colateral da duloxetina (Cymbalta), pode resultar em mau hálito e uma série de problemas bucais e prejuízos da saúde dentária.

A duloxetina é excretada pelo leite materno.

O uso de duloxetina durante o final do terceiro trimestre de gravidez pode resultar em recém-nascidos com dificuldade respiratória, cianose, apnéia, convulsões, instabilidade térmica, vômitos, hipoglicemia, hiper ou hipotonia, hiperreflexia, irritabilidade, choro constante e tremores. Os efeitos sobre o desenvolvimento neurocomportamental a longo prazo ainda não foram estudados!

A revista Época referiu-se ao Cymbalta (duloxetina) em jargão militar, utilizando termos como a última arma contra a depressão. A capa da revista é um céu azul e uma mulher sorridente flutuando, deitada, maravilhosamente, nas nuvens. Na matéria, a foto é de uma mulher cheia de paz, provavelmente sob o efeito do Cymbalta (duloxetina), andando na praia. A Época falou, na ocasião, em números astronômicos, como 80% de índice de desaparecimento dos sintomas. A Veja falou em efeitos colaterais menos intensos que os dos antidepressivos mais antigos.

Os pacientes em uso de duloxetina (Cymbalta) devem ser monitorados clinicamente, antes e durante o tratamento, regularmente, quanto à pressão arterial, ideação suicida, ansiedade, aptidão social, níveis de enzimas hepáticas, uréia e creatinina, bem como exames oftalmológicos regulares.

Uma coisa existe em comum entre as drogas: na época do seu lançamento, diversas revistas populares, de credibilidade, publicam vistosas matérias sobre elas. Matérias que seriam até importantes e ilustrativas, se não fosse por um pequeno detalhe: elas só se lembram de enaltecer o novo medicamento, e normalmente se esquecem de detalhar os efeitos colaterais e reações adversas. Informação tão importante quanto o benefício que a droga pode possuir. Essas matérias ficam até parecendo um informe publicitário da indústria e não uma matéria informativa, tipicamente jornalística, que mostra os prós e os contras, questiona, compara opiniões médicas divergentes e contraditórias, ouve pacientes satisfeitos e insatisfeitos. Não. Tudo parece unânime. Todos os pacientes estão felizes e contentes, nas nuvens. Ninguém sofre efeitos colaterais. Tudo se passa como se 80% ficassem curados e felizes para sempre, bastando aos outros 20% esperar pela próxima droga, a próxima bola da vez)!!

Infelizmente, a realidade não é essa. Os pacientes continuam tendo reações adversas, continuam apresentando recaídas depois de algum tempo, e o pior, continuam achando que somente uma droga, uma pílula mágica, pode resolver o seu problema.

Como eu sempre digo, remédios como o Cymbalta (duloxetina) podem ser importantes num momento específico da depressão ou da enxaqueca, mas ninguém pode depender apenas deles. Remédios não curam ninguém, apenas aliviam os sintomas para que você possa adotar as mudanças de estilo de vida necessárias para uma melhora consistente e real da sua doença. Não estamos aqui falando só de depressão e enxaqueca. Isso vale para qualquer doença.

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