A enxaqueca  
 
  Newsletter

Receba, gratuitamente, artigos sobre dor de cabeça e enxaqueca. Coloque seu e-mail no campo abaixo:

  Busca no Site Enxaqueca
  Saiba mais
O uso frequente de analgésicos comuns pelos portadores de enxaqueca pode acarretar em dependência.

  Testes on line:
  Aprenda a se conhecer

Topiramato - Nova DROGA para Enxaqueca

(Leia no final o depoimento de internautas)

O topiramato (nome químico dos remédios Topamax, Amato e Toptil), tem ganho muito destaque na imprensa e tem sido a grande estrela de congressos médicos de dor de cabeça no Brasil.

Por ser tão falado e badalado, está se transformando no remédio da hora, na bola da vez para enxaqueca. Os pacientes mais "antenados", devoradores de notícias sobre enxaqueca, já estão perguntando a seus médicos se o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) não seria a tão esperada solução definitiva para seus problemas. Muitos destes médicos chegam a sentir-se praticamente obrigados a prescrevê-los, sob pena de serem taxados de desatualizados, obsoletos ou retrógrados.

Infelizmente, a meu ver, o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) não é, nem jamais poderá ser, a resposta que a maioria dos sofredores de enxaqueca anseia. Ele pode ser, e é, um recurso útil apenas e tão somente para uma pequena minoria deles.

Em primeiro lugar, é bom esclarecermos que o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) é um remédio que foi originalmente descoberto, patenteado e registrado como sendo para epilepsia, não para enxaqueca. Pesquisas posteriores acabaram revelando que esta droga possuía a capacidade de diminuir a frequência das crises de enxaqueca em uma certa porcentagem de seus usuários. Mais uma vez, a enxaqueca "pega carona" em alguma droga de outra especialidade. A mesma história que ocorreu com antidepressivos, remédios para pressão, coração, circulação, antialérgicos etc, está ocorrendo com alguns remédios para epilepsia, dentre os quais o topiramato (Topamax, Amato e Toptil).

Ocorre que para a indústria desenvolver e estudar remédios preventivos específicos apenas para enxaqueca, os custos seriam muito altos em comparação com os benefícios. Digamos assim: desenvolver um remédio preventivo para enxaqueca não é um negócio "rentável"...

A consequência é que os pacientes e seus médicos, simplesmente, acabam tendo de se virar com o que tem por aí. O fato de um remédio para epilepxia funcionar também na enxaqueca, indica que esta droga "atira para todos os lados". Acerta o alvo da epilepsia e, em alguns casos, o alvo da enxaqueca. O problema de se "atirar para todos os lados" é que pode-se acabar por atingir, também, alvos totalmente inocentes. E aí aparecem os temíveis efeitos colaterais.

Entretanto, nós todos sabemos que qualquer fabricante de qualquer produto nesse mundo não tem interesse em divulgar o lado negativo de seus produtos, e quando é obrigado a fazê-lo, tende a minimizá-lo. Afinal, qual é a mãe que falaria mal do próprio filho? Qual o fabricante que falaria mal do próprio produto?

O topiramato (Topamax, Amato e Toptil), como eu disse, pode ser útil em alguns casos, mas infelizmente este benefício, quando ocorre, pode vir acompanhado de desagradáveis efeitos colaterais. O topiramato (Topamax, Amato e Toptil) pode aumentar significativamente as chances de desenvolver pedras nos rins. Pode interferir com a função mental, provocando lentidão psicomotora, dificuldade de concentração, nervosismo, agressividade, anorexia, formigamentos, depressão, fala "arrastada", dificuldade de se lembrar das palavras, distúrbios da atenção, sonolência e fadiga. Interfere negativamente no efeito da pílula anticoncepcional. Ao ser administrado para ratas grávida, provocou o aparecimento de malformações no crânio e na face dos ratinhos bebês, além de uma redução no peso e no processo de ossificação dos fetos. Ainda em ratos, que receberam tratamentos prolongados com topiramato, ocorreu um aumento significativo na incidência de tumores na bexiga. Em seres humanos, o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) pode interferir na ação de outras drogas que o indivíduo já esteja tomando, como calmantes, alguns diuréticos, outros antiepiléticos e, como já mencionei, hormônios estrógenos.

Se a administração de topiramato (Topamax, Amato e Toptil) for interrompida bruscamente, podem ocorrer convulsões mesmo em quem nunca sofreu de epilepsia na vida. Portanto, essa droga deve ser descontinuada lentamente, especialmente quando as doses receitadas forem altas.

Ah, mas se pelo menos o topiramato (Topamax, Amato e Toptil) acabasse de vez com a enxaqueca, será que mesmo assim não valeria a pena?

O topiramato (Topamax, Amato e Toptil), segundo um estudo amplamente divulgado pelo seu fabricante, conseguiu reduzir uma frequência média anual de 5,4 para 3,3 enxaquecas por mês, quando numa dose de 100 mg ao dia. Para mim, esse resultado não é impressionante o suficiente para expor meus pacientes, em massa, aos desagradáveis efeitos colaterais.

Com tudo isso, vocês devem estar imaginando que eu sou contra remédios, e particularmente contra o topiramato (Topamax, Amato e Toptil). Mas a coisa não é assim.

Eu não sou contra o remédio. Eu inclusive já o receitei a alguns dos meus pacientes no passado. A minha crítica é a falta de divulgação adequada dos possíveis efeitos colaterais e, principalmente, ao abuso na prescrição deste e de outros remédios.

As drogas devem ser prescritas e tomadas conscientemente. Elas podem melhorar apenas os sintomas, porém jamais atuam na causa da doença.

Na minha opinião, o controle da enxaqueca se obtém através de uma ação conjunta envolvendo mudanças de hábito alimentar, de sono, de exercício e, quando necessário, também remédios (que em alguns casos podem até ser o topiramato). Colho os resultados destas medidas na prática, quando posso dar alta aos meus pacientes.

Dr. Alexandre Feldman

 

Leia a íntegra da crítica do Dr. Alexandre Feldman a uma matéria da revista VEJA sobre enxaqueca e Topamax, clicando aqui.

Leia mais sobre a visão da enxaqueca por Dr. Alexandre Feldman no livro Enxaqueca - Só Tem Quem Quer.

 

Depoimentos de Internautas:

1. De Silvia, via email (silvinhaalmada [arroba] hotmail.com)

Dr, achei muito interessante o que o senhor escreveu sobre o Topiramato, pois dia 16/07/2008 tive a infelicidade de tomar 1/2 comprimido, para tratamento de enxaqueca. Após uma hora, tive um início de Choque Anafilático, trancando minha garganta, tendo edema na face e nas extremidades e formigamentos pelo corpo todo. Fui parar no hospital e tomei 2 injeções de anti-alérgico e 1 comprimido de Allegra. A sensação de formigamento e peso nos membros inferiores e superiores continuaram durante 24 horas.

2. De Daura, via email (dauravigna [arroba] ibest.com.br)

Dr, comecei a pesquisar sobre o Topamax em função de uma experiência terrível que tive com o mesmo. Tenho enxaqueca no período pré-menstrual e já tenho uma rotina pré-estabelecida com meu médico. Procuro nunca tomar remédios sem seu conhecimento.

Mas, dia desses, cometi a tolice de aceitar um "infalível" comprimido para a enxaqueca... "última geração" ... "sucesso na VEJA" ... Burrice! Tomei um comprimido de Topamax.

A enxaqueca não passou e, ainda por cima, tive uma reação "totalmente adversa a mim mesma": Além do formigamento nas pernas e nos braços, me perdi dentro de meu próprio quarto e não encontrava minha cama king size. Fiquei totalmente desorientada geograficamente. Ao acordar meu marido para pedir-lhe ajuda, não conseguia dizer, pronunciar o que estava acontencendo. As palavras fugiam da boca, da mente.

Pensamos que o efeito passaria em algumas horas, mas 14 horas depois, tive de ir para o hospital, pois eu estava muito estranha. Tinha vontade de rir e de chorar. Ria como uma bêbada, e olhe que nunca tomei um porre. Fiquei eufórica (ou melhor seria dizer, histérica?). Meu médico indicou potássio no soro para tentar eliminar o efeito. Só me vi livre do pesadelo 24 horas depois, mas totalmente recuperada da crise de enxqueca e da crise "Topamaxsiva" em 48 horas.

Gostei muito de seu artigo criticando a reportagem de Veja, não só pelo teor científico mas também pelo nível de criticidade e bom uso da língua portuguesa.

 

voltar
envie esta página
para um amigo
 
 Conheça mais sobre a clínica Dr. Alexandre Feldman