| Alimentação,
Tireóide e Enxaqueca - Parte 1
Qual a importância da glândula tireóide
na enxaqueca? Acontece que distúrbios da tireóide
são um grande motivo de desencadeamento ou agravamento
de enxaqueca. Além disso, podem provocar outras
dores de cabeça!
Segundo as estatísticas, os problemas da tireóide
têm se tornado cada vez mais comuns, e geralmente
demoram para ser diagnosticados.
Vocês poderiam se perguntar qual a razão
desse aumento dos distúrbios da tireóide.
A resposta pode ser encontrada, em boa parte, na alimentação.
Como veremos nesta Primeira Parte, vários itens
comuns do cardápio cotidiano, para nossa surpresa,
não são tão benéficos quanto
parecem.
Com tantas informações surpreendentes
que a ciência possui sobre os malefícios
de ingredientes tão comuns e rotineiros, é
natural nos perguntarmos: - O que comer, então?
Este é o tema da Parte 2 desta matéria.
Como você verá na Segunda Parte, a melhor
resposta a essa pergunta pode ser encontrada na culinária
tradicional. Aquela das avós de nossas bisavós,
que sua vez, aprenderam de seus antepassados, e graças
aos quais existimos hoje.
Infelizmente, interesses econômicos têm
provocado desvios na visão de muitos cientistas,
que se acham deuses capazes de melhorar os alimentos
que existem na natureza. Felizmente, existe também
uma ciência séria, que demonstra o prejuízo
do processamento industrial dos alimentos em nome de
uma pretensa comodidade. Porém, precisamos nos
lembrar, todos os dias, de que não é nada
cômodo ficar doente!
Se você deseja evitar ou minimizar problemas
de tireóide, EVITE:
1. Soja
Se você está apresentando problemas de
tireóide, uma das primeiras medidas úteis
é cortar totalmente o uso de soja.
Por sinal, ela é utilizada em mais de 60% dos
alimentos industrializados (vide rótulos, inclusive
de salsicha e peito de peru e carne processada para
hambúrgueres), seja na forma de proteína,
óleo, lecitina, etc.
A soja possui grandes quantidades dos seguintes antinutrientes:
a) Ácido fítico, que se liga a importantíssimos
minerais da alimentação, especialmente
o zinco, cálcio e magnésio, impedindo
sua absorção;
b) Inibidores da tripsina (a tripsina é uma enzima
importante do nosso organismo, utilizada no processo
de digestão);
c) Isoflavonas, genisteína e daidzeína,
substâncias que possuem atividade antitireoideana
demonstrada cientificamente. Pesquisas mostram que as
isoflavonas da soja, que se encontram "na moda"
para inúmeras "utilidades", como se
fossem panacéias, são, na verdade, os
mais potentes inibidores da função tireoideana,
seguidas pela daidzeína e, em terceiro lugar,
a genisteína. Nenhum outro alimento, na nossa
realidade, possui mais antinutrientes que a soja!
2. Açúcar e Farináceos
O delicado mecanismo de controle dos níveis de
açúcar no sangue (glicemia) requer uma
ação muito bem coordenada entre a insulina
do pâncreas, e outros hormônios de diversas
glândulas, entre as quais as supra-renais e a
tireóide.
Quando o açúcar e o amido são ingeridos
na sua forma natural, não-refinada, como parte
de uma refeição contendo gorduras e proteínas
saudáveis e nutritivas, a sua digestão
ocorre lentamente, permitindo que o açúcar
entre na corrente sangüínea num ritmo gradual
e moderado, ao longo de várias horas.
Se o organismo permanecer sem comida durante muito tempo,
o nosso mecanismo de controle aciona as reservas de
açúcar armazenadas no fígado.
Assim, esse fantástico processo de regulação
do açúcar no sangue garante às
células um suprimento uniforme e constante da
substância. Em conseqüência, o organismo
como um todo se mantém estável, física
e emocionalmente.
Por outro lado, quando consumimos açúcar
e farináceos refinados, praticamente sem nada
mais, ou seja, desacompanhados de gorduras e proteínas
em proporções significativas, a digestão
se dá muito rapidamente, provocando um aumento
súbito do açúcar na corrente sangüínea.
Em resposta, ocorre uma produção de quantidades
imensas de insulina, hormônios da tireóide
e vários outros, na tentativa de baixar o açucar
do sangue para níveis aceitáveis.
Conforme o organismo vai sendo tomado de assalto, repetidamente,
por concentrações excessivas de açúcar,
é possível uma quebra no seu delicado
mecanismo de controle dessa substância. Nessa
situação, vários componentes desse
mecanismo podem permanecer em constante estado de hiperatividade,
resultando no desgaste e insuficiência de alguns
deles, entre os quais a glândula tireóide.
Tal situação é exacerbada pelo
fato de uma dieta rica em açúcar e farináceos
refinados ser pobre em vitaminas, minerais e enzimas,
elementos necessários para a manutenção
adequada das glândulas e seus hormônios,
que uma vez desequilibrados, provocam a manifestação
de dores de cabeça, crises de enxaqueca, alergias,
obesidade, depressão, distúrbios comportamentais
e de aprendizado.
3. Óleos Vegetais Comuns
A campanha contra as gorduras saturadas e a favor dos
óleos vegetais poliinsaturados (canola, milho,
soja, margarina, etc) na culinária é boa
apenas para a indústria alimentícia, e
não para a sua saúde.
Quase todos os alimentos industrializados, incluindo
pães, bolachas, biscoitos, salgadinhos, batatinhas,
molhos, doces, produtos com zero de colesterol, maioneses,
sorvetes e cereais matinais, contêm gorduras vegetais
poliinsaturadas e/ou hidrogenadas. Fazem parte, freqüentemente,
de cardápios vegetarianos.
Até mesmo a assim chamada gordura saturada do
frango, porco e carnes de bois criados em confinamento,
encontra-se alterada devido à alimentação
desses animais à base de soja, milho e outros
produtos ricos em poliinsaturados.
Acontece que, entre outros problemas, as gorduras poliinsaturadas
inibem a liberação do hormônio da
tireóide. Como? Através da inibição
de enzimas proteolíticas. Essas enzimas são
importantes na digestão de proteínas.
Sem elas, a digestão da proteína coloidal
que é liberada pela tireóide e guarda
dentro de si os seus hormônios, é prejudicada.
Sem a digestão do colóide, não
há liberação dos hormônios.
O hormônio da tireóide é essencial
na fabricação, a partir do colesterol,
de uma série de hormônios esteróides,
como a progesterona, pregnenolona e o assim chamado
DHEA, conhecido como hormônio anti-envelhecimento.
Na insuficiência tireoideana, o colesterol, matéria-prima
de todos os hormônios esteróides, pode
se acumular e se elevar. E com a diminuição
da progesterona, aumentam as chances de ocorrer uma
dominância estrogênica, que contribui para
a atual epidemia de TPM, cólicas menstruais,
cistos ovarianos, nódulos mamários e câncer.
4. Certas Verduras Cruas
Algumas verduras cruas contêm substâncias
naturais chamadas glucosinolatos, as quais podem interferir
negativamente com a produção de hormônios
da tireóide. Entre essas verduras estão
o repolho, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor
e espinafre. Existe uma maneira de tornar saudável
o consumo dessas importantes verduras. Falaremos sobre
isso na Parte 2!
|