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Enxaqueca e a pílula

Ouve-se, normalmente, que pílula anticoncepcional não faz mal. Nos dias de hoje, a pílula é utilizada em larga escala, não só para evitar a gravidez, mas também, para tratar espinhas na pele, cistos de ovário, irregularidades menstruais e até TPM. Para a maioria dos médicos, falar mal dela é tabu. Coisa de religioso fanático. Pílula não faz mal!

Será?

Para compreender o problema, é preciso saber que a diferença mais fundamental entre o homem e a mulher é o popularmente chamado equilíbrio hormonal.

A partir da puberdade, a mulher possui um equilíbrio dinâmico entre duas forças hormonais: o estrógeno e a progesterona. O estrógeno é produzido pelos ovários, a partir do primeiro dia de cada ciclo menstrual. Quem produz estrógeno, nos ovários, são os folículos ovarianos. Dentro dos folículos, encontram-se os óvulos. É como se os folículos fossem "casinhas" onde "moram" os óvulos.

A cada ciclo menstrual, desenvolvem-se, graças a um sinal hormonal vindo do cérebro, algumas unidades a algumas centenas de folículos e respectivos óvulos, em ambos os ovários. O estrógeno produzido por esses folículos promove o crescimento da parte interna do útero (endométrio) que descamou na última menstruação. Promove a multiplicação de todas as células que possuam um receptor de estrógeno, como por exemplo, as células mamárias e as células gordurosas. Promove retenção de líquido, útil numa situação de equilíbrio, pois compensa o líquido perdido com a menstruação. No sistema nervoso, promove um estado de estimulação. Em situação de equilíbrio, isso se traduz por uma fase mais ativa, mental e fisicamente, além de uma maior propensão à atividade sexual.

Por volta da metade do ciclo menstrual, um dos óvulos rompe a parede da "casinha" (folículo) que o abrigava. É a ovulação. Este óvulo vai caminhar ao útero, via trompa. Enquanto isso, o folículo, agora rompido, passa a produzir outro hormônio: a progesterona. Este hormônio passa a predominar, portanto, na segunda fase do ciclo menstrual.

A progesterona atua de maneira oposta ao estrógeno. É como se ambos estivessem em lados opostos de uma gangorra balançando em equilíbrio, para um lado e para outro, alternadamente.

A progesterona interrompe a proliferação celular ocasionada pelo estrógeno. O endométrio pára de crescer, apenas se mantém graças à ação da progesterona de favorecer a presença de nutrientes (sangue) no local. As células gordurosas e mamárias recebem o "recado" para não crescer. Ocorre até mesmo uma absorção do tecido gorduroso.

A progesterona promove a perda do líquido eventualmente retido a mais pelo corpo. No sistema nervoso, a progesterona atua como um calmante, apazigüando os ânimos, dando uma sensação geral de bem-estar. Durante a gravidez, a progesterona passa a ser produzida pela placenta em quantidades progressivamente maiores, e é comum as mulheres se sentirem muito bem e em paz, conforme a gravidez entra no terceiro trimestre e as concentrações de progesterona atingem níveis até 20 vezes maiores que os da mulher não grávida. Não é infreqüente, durante esta fase da gravidez, que as enxaquecas diminuam em intensidade ou desapareçam até depois do parto. De qualquer modo, quando não ocorre a gravidez, a capacidade do corpo lúteo se "esgota" após cerca de 14 dias, interrompendo-se, assim, a produção de progesterona e, sem ela, o endométrio não se mantém, descamando. É um ciclo menstrual que termina, dando início ao seguinte.

Imagine, agora, uma mulher que faz uso de pílula anticoncepcional. Como funciona a pílula? Ela é um anovulatório. Ou seja, impede a ocorrência da ovulação. Ora, se não há ovulação, não há corpo lúteo, nem progesterona. Não há equilíbrio hormonal. A gangorra está "travada" no lado do estrógeno, somente. A conseqüência? Sintomas de excesso de estrógeno, como dores de cabeça, enxaqueca, TPM, retenção de líquido, espinhas na pele, cistos de ovário, nódulos mamários, miomas, gordura em excesso, nervosismo, ansiedade além da conta etc.

Minha dica: Jamais use pílula anticoncepcional. Caso não deseje engravidar, converse com seu médico a respeito de outros métodos não hormonais de prevenção da gravidez, como o DIU, camisinha etc. Aguarde mais informações para breve, num web site específico que estou desenvolvendo.

 

 

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