|
FLUOR
REM€DIO OU VENENO? Parte dois
Conforme explicado na primeira parte, iniciou-se, cerca de 60 anos atrˆs, um grande movimento, por parte das autoridades americanas, no sentido de se adicionar o flìor š ˆgua potˆvel de toda a populaІo. O Brasil acabou aderindo a esse movimento. Hoje, a adiІo do flìor š ˆgua þ obrigat„ria.
No entanto, uma sþrie de documentos que foram mantidos em sigilo por mais de 50 anos pelo governo dos Estados Unidos, sob a alegaІo de "seguranÐa nacional", foram liberados, descobertos e levados ao conhecimento pìblico em 1998 pelos jornalistas norte-americanos Joel Griffiths (especializado em assuntos mþdicos, radicado em Nova York, autor de trabalhos sobre os primeiros experimentos com radiaІo em seres humanos) e Chris Brighton (detentor de mestrado em jornalismo e rep„rter independente para uma sþrie de emissoras, como o canal pìblico de televis†o de Nova York, a ABC-TV e a rˆdio BBC). Como veremos abaixo, tais documentos trazem um novo enfoque šs origens das medidas atþ hoje controversas, no sentido de fluoretar compulsoriamente a ˆgua da populaІo. Ao mesmo tempo, revelam a conex†o entre a fluoretaІo e o inÍcio da era nuclear. As alegaзes de que a fluoretaІo þ segura e, principalmente, a obrigatoriedade da mesma, precisam ser revistas em funІo de documentos do Projeto Manhattan - programa militar ultra-secreto dos Estados Unidos, da þpoca da 2a Guerra Mundial, e que resultou na fabricaІo da primeira bomba at»mica. Segundo essa documentaІo, cientistas envolvidos no programa nuclear dirigiram e moldaram, secretamente, os primeiros experimentos de fluoretaІo.
De acordo com tais documentos, o flìor era, um componente-chave para a produІo da Bomba. Quantidades imensas da substþncia, da ordem de milh·es de toneladas, eram e continuaram sendo necessˆrias para a fabricaІo de urþnio e plut»nio, durante todo o perÍodo da guerra fria.
O flìor, substþncia entre as mais t„xicas conhecidas pelo homem, acabou despontando, na þpoca, como sendo a principal ameaÐa š saìde em conseqô¡ncia do programa da bomba at»mica, tanto para as pessoas envolvidas em sua fabricaІo, quanto para as populaзes vizinhas.
Coincidentemente, o s documentos revelam que a maioria das "provas" de que o flìor seria seguro em baixas doses, foi gerada por cientistas envolvidos no Projeto Manhattan, e que receberam, secretamente, ordens para providenciar "evid¡ncias ìteis em caso de litÍgio" da populaІo contra empresas emissoras de flìor na atmosfera. Por incrÍvel que pareÐa, segundo tais documentos, os primeiros processos judiciais contra o programa nuclear americano n†o foram por causa da radiaІo, mas sim do flìor!
Era preciso que se realizassem estudos em seres humanos. Os pesquisadores do programa nuclear lideraram a implementaІo do mais extenso de todos os estudos sobre os efeitos da fluoretaІo da ˆgua potˆvel, na cidade de Newburgh, estado de Nova York, entre 1945 e 1955. Em uma operaІo ultra-secreta que recebeu o codinome "Programa F", eles analizaram, secretamente, o sangue dos habitantes, com a cooperaІo da Secretaria Estadual da Saìde de Nova York. A vers†o original (e que foi mantida sigilosa por 50 anos) de um estudo realizado por esses cientistas e publicado na ediІo de agosto de 1948 do Journal of the American Dental Association (vol. 37, no. 2, pˆgs. 131-140), revela que a divulgaІo dos efeitos adversos do flìor foi censurados pela Comiss†o de Energia At»mica dos Estados Unidos por raz·es de "seguranÐa nacional".
Os estudos da seguranÐa do flìor foram conduzidos na Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester - a mesma onde ocorreu um dos mais not„rios experimentos de radiaІo do perÍodo da Guerra Fria, no qual pacientes receberam, sem seu conhecimento, injeзes de plut»nio radioativo - com os mesmos padr·es þticos, em que prevalecia a "seguranÐa nacional".
O conflito de interesses do governo dos Estados Unidos, bem como a sua motivaІo no sentido de comprovar a seguranÐa do flìor em meio ao furioso debate sobre o assunto, iniciado na dþcada de 1950, somente veio š tona hˆ pouco tempo. O conteìdo dos documentos, liberados do sigilo, comeÐa a se tornar conhecido por profissionais de saìde, pela mÍdia e pela populaІo mundial, gerando grandes dìvidas a respeito dos efeitos do flìor no ambiente.
A ingest†o do flìor vem aumentando nas ìltimas dþcadas, n†o apenas por causa da ˆgua e das pastas de dentes fluoretadas, mas tambþm pela poluiІo industrial. O impacto pode ser visto nos sorrisos das pessoas. De acordo com dados do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, a fluorose dentˆria, cujo primeiro sinal visÍvel s†o manchas ou listras esbranquiÐadas nos dentes da frente, chega a atingir 80% das crianÐas em algumas cidades. Um problema menos divulgado þ que o flìor tambþm se acumula nos ossos. Ortopedistas pediˆtricos v¡m manifestando preocupaІo quanto ao aumento das chamadas fraturas de stress em crianÐas e adolescentes nos Estados Unidos. Fraturas de stress s†o aquelas que os ossos se quebram expontaneamente, pelo simples ato de pular ou correr.
A Dra. Phyllis Mullenix, ex-chefe de toxicologia do Forsyth Dental Center em Boston, realizou pesquisas com animais e concluiu, no inÍcio da dþcada de 1990, que o flìor poderia possuir um efeito muito t„xico para o sistema nervoso central e interferir na funІo do cþrebro, mesmo quando administrado em baixas dosagens. Seu estudo, intitulado "Neurotoxicidade do Fluoreto de S„dio em Ratos, foi publicado em uma revista cientÍfica (Neurotoxicology and Teratology, vol. 17, no. 2, pˆgs. 169-177). Espantada com a incrÍvel escassez de estudos cientÍficos sobre esse assunto, a pesquisadora solicitou verbas dos Institutos Nacionais de Saìde (National Institutes of Health) no sentido de dar continuidade šs suas pesquisas. Qual foi a surpresa dela, quando seu pedido foi recusado, sob a alegaІo de que "o flìor n†o possui efeitos negativos no sistema nervoso central".
Os documentos desarquivados do Projeto Manhattan mostram o contrˆrio. L¡-se, em um memorando carimbado com a palavra "SECRETO", datado de 29 de abril de 1944: "Evid¡ncias clÍnicas sugerem que o hexafluoreto de urþnio pode ter um efeito marcante no sistema nervoso central (...) Parece mais provˆvel que o fator causador de tais efeitos seja o componente F [sÍmbolo do flìor]". O memorando foi escrito por um capit†o do corpo mþdico, para o chefe da ˆrea mþdica do Projeto Manhattan, Coronel Stafford Warren.
L¡-se, tambþm, no memorando, um pedido para que seja aprovada uma certa proposta, em anexo, para pesquisa em animais. Tal proposta, anexada ao memorando, fora feita pelo chefe dos estudos de toxicologia do flìor da universidade de Rochester, Dr. Harold C. Hodge. A proposta em si n†o se encontra š disposiІo do pìblico, portanto deve estar sendo mantida em sigilo atþ hoje. Diz o memorando, referindo-se a ela: "Sendo essencial o manuseio desses compostos quÍmicos, torna-se necessˆrio conhecer, de antem†o, os possÍveis efeitos mentais ap„s a exposiІo (...) Isso se aplica n†o apenas para proteger um dado indivÍduo, mas tambþm para evitar que um operˆrio com sintomas de confus†o mental venha a causar danos a outros, graÐas ao cumprimento inadequado de suas funзes".
No mesmo dia, a proposta foi aprovada. O ano era 1944. A 2a. Guerra Mundial estava no auge e os esforÐos para a construІo da bomba at»mica eram totais. Para que fossem aprovadas, naquele momento, pesquisas sobre os efeitos do flìor no sistema nervoso, o que quer que estivesse escrito naquela proposta deveria ter sido muito convincente. Porþm, apenas o memorando, e n†o a proposta, se tornou pìblico.
Interessante observar que a Dra. Mullenix teve sua proposta de pesquisa recusada em 1995 por um „rg†o governamental que tinha posse de tais documentos, e ainda assim alegou a aus¡ncia de efeitos do flìor no sistema nervoso central.
Meio sþculo ap„s o memorando, a Dra. Mullenix foi apresentada a um cientista que serviria de consultor para suas pesquisas com o flìor. O nome dele era Harold C. Hodge. Declara a Dra. Mullenix em sua entrevista aos jornalistas Joel Griffiths e Cris Bryson: "Embora devesse estar me ajudando, ele jamais mencionou a pesquisa realizada por ele mesmo para o Projeto Manhattan".
Em 1944, uma emiss†o particularmente severa de vapores de flìor ocorreu pr„ximo a uma indìstria quÍmica (E. I. DuPont de Nemours), que estava produzindo toneladas da substþncia para o projeto Manhattan, na cidade de Deepwater, em Nova Jersey. As fazendas das proximidades, conhecidas pela boa qualidade de seus produtos, comeÐaram a ter sþrios problemas: seus p¡ssegos e tomates queimaram. Seus frangos morreram ap„s um temporal. Seus cavalos adoeceram e se tornaram enrijecidos. Suas vacas n†o tinham forÐas sequer para se levantar.
Um memorando datado de 27 de agosto de 1945, assinado pelo chefe do Projeto Manhattan, o general Leslie R. Groves, e endereÐado ao Comando Geral do Exþrcito no Pentˆgono, trata sobre a investigaІo de danos šs plantaзes em uma cidade de Nova Jersey, e diz: "Mediante š solicitaІo do Secretˆrio de Guerra, o Departamento de Agricultura [equivalente ao nosso Ministþrio da Agricultura] concordou em cooperar na investigaІo de queixas de danos šs plantaзes atribuÍdas (...) a gases emitidos por uma fˆbrica que opera em conex†o com o Projeto Manhattan".
Ap„s o fim da guerra, o Dr. Harold Hodge, chefe das pesquisas de toxicologia do flìor do Projeto Manhattan, escreveu um memorando secreto (que somente veio ao conhecimento pìblico na metade da dþcada de 1990), datado de 1o. de marÐo de 1946, para seu superior, o Coronel Stafford L. Warren, a respeito de "problemas associados š quest†o da contaminaІo da atmosfera pelo flìor, em uma certa regi†o de Nova Jersey". "Parecem existir quatro problemas distintos, embora relacionados entre si: 1. A quest†o dos danos š safra de p¡ssegos de 1944; 2. Um relato de concentraзes extraordinariamente altas de flìor nos vegetais cultivados nessa regi†o; 3. Um relato de altas concentraзes de flìor no sangue de seres humanos residentes dessa regi†o; 4. Um relato sobre sþrio envenenamento de cavalos e gado nessa regi†o."
Os fazendeiros de Nova Jersey, por sua vez, comeÐaram a processar a DuPont e o Projeto Manhattan, ap„s o fim da Guerra, pelas perdas e danos causados causados pelo flìor. Estes s†o, documentadamente, os primeiros processos contra o programa nuclear dos Estados Unidos.
Embora aparentemente triviais, estes processos causaram grande preocupaІo na esfera governamental - pelo menos þ assim que revelam os documentos que permaneceram secretos atþ os anos 1990: uma sþrie de reuni·es secretas aconteceram em Washington entre o chefe do Projeto Manhattan, General Leslie R. Groves e cientistas, representantes do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, do Projeto Manhattan, do FDA (Food and Drug Administration, „rg†o regulamentador dos alimentos e remþdios), dos ministþrios da Agricultura e da JustiÐa, do ServiÐo de Guerras QuÍmicas, do Arsenal Edgewood e tambþm advogados da DuPont. Os memorandos dessas reuni·ess, revelam uma mobilizaІo ampla e secreta de toda uma forÐa governamental no sentido de ganhar os processos abertos pelos fazendeiros de Nova Jersey.
Em um memorando datado de 2 de maio de 1946, l¡-se que as ag¡ncias governamentais "est†o realizando investigaзes cientÍficas a fim de obter indÍcios que possam ser utilizados para proteger os interesses do governo no julgamento dos processos gerados pelos proprietˆrios de plantaзes de p¡ssegos em Nova Jersey".
No tocante aos mesmos processos, o general Leslie R. Groves escreveu um memorando datado de 28 de maio de 1946, ao Comit¡ Especial de Energia At»mica do Senado dos Estados Unidos, declarando que "o Ministþrio da JustiÐa estˆ cooperando na defesa desses processos".
Qual a causa de tamanho rebuliÐo sobre alguns poucos processos abertos por meia dìzia de fazendeiros de Nova Jersey?
Em 1946, os Estados Unidos iniciaram a produІo em larga escala de bombas at»micas, e os processos envolvendo o flìor constituÍam um sþrio bloqueio š sua estratþgia. De acordo com o livro Day of Trinity, sobre a hist„ria do Projeto Manhattan, escrito por Lansing Lamont, "A ameaÐa de um nìmero infinito de processos pairava como uma assombraІo sobre o exþrcito". Em outras palavras, se os fazendeiros ganhassem, o caminho estaria aberto para muitos outros processos, que poderiam acabar por impedir a utilizaІo do flìor pelo programa de energia nuclear. Alþm das enormes indenizaзes, haveria um sþrio problema de relaзes pìblicas. Nesse aspecto, de acordo com um memorando de 1o. de marÐo de 1946, a DuPont encontrava-se particularmente preocupada com "possÍveis reaзes psicol„gicas" do incidente de Nova Jersey: temendo um embargo do FDA (Food and Drug Administration, „rg†o regulador dos alimentos e remþdios nos Estados Unidos) š safra daquela regi†o devido ao "alto conteìdo de flìor", a DuPont enviou seu advogado aos escrit„rios do FDA em Washington, para uma reuni†o. De acordo com um memorando datado do dia seguinte (2 de marÐo), o advogado da DuPont argumentou que "em vista dos processos pendentes (...) qualquer aІo por parte do FDA (...) poderia acarretar sþrios efeitos sobre a DuPont e criar uma situaІo ruim de relaзes pìblicas". Ap„s essa reuni†o, o Capit†o John Davies, do Projeto Manhattan, abordou o chefe da divis†o de alimentos do FDA e comunicou o "substancial interesse que o governo possui em reclamaзes que possam surgir como resultado de uma possÍvel aІo por parte do FDA".
N†o houve embargo. Ao invþs disso, de acordo com um memorando de 27 de agosto de 1946 assinado pelo General Leslie R. Groves, novos testes seriam realizados com o flìor na regi†o de Nova Jersey, n†o pelo Departamento de Agricultura, mas pelo ServiÐo de Guerra QuÍmica do exþrcito dos Estados Unidos (CWS: Chemical Warfare Service), pois "o trabalho realizado pelo CWS traria provas de maior peso, caso (...) processos fossem iniciados pelos reclamantes".
No entanto, o problema de relaзes pìblicas permanecia, pelo menos com relaІo aos fazendeiros e cidad†os das ˆreas acometidas de Nova Jersey.
O portador da soluІo mais ampla para esse problema foi o toxicologista-chefe do Projeto Manhattan, Dr. Harold C. Hodge. Em um memorando para o chefe do setor mþdico, Coronel Stafford Warren, datado de 1o. de maio de 1946, ele escreve: "Haveria alguma utilidade em se tentar contra-atacar o medo do flìor por parte dos moradores de Salem e Gloucester, atravþs de palestras sobre a toxicologia do flìor, e quem sabe a utilidade do flìor na saìde dos dentes?"
Tais palestras de fato ocorreram, n†o apenas em Nova Jersey, mas em todos os Estados Unidos, durante todo o perÍodo de duraІo da Guerra Fria. Enquanto isso, os processos foram bloqueados pela recusa do governo em revelar a informaІo-chave, de quanto flìor teria sido despejado na atmosfera durante a Segunda Grande Guerra. De acordo com um memorando datado de 24 de setembro de 1945 e escrito pelo Major C. A. Taney Jr., do Projeto Manhattan, "Tal revelaІo seria prejudicial š seguranÐa militar dos Estados Unidos". Os fazendeiros acabaram concordando em fazer acordos financeiros, e as queixas foram esquecidas.
Um memorando de 2 de maio de 1946, do General Leslie R. Groves, diz: "Devido šs queixas de danos causados pelos vapores de fluoreto de hidrog¡nio a seres humanos e animais na regi†o de Nova Jersey, (...) a Universidade de Rochester estˆ conduzindo experimentos para determinar o efeito t„xico do flìor". Muitas das "comprovaзes" alegando a seguranÐa do flìor em baixas doses, saÍram dos experimentos realizados pela Universidade de Rochester no perÍodo p„s-Guerra.
O envolvimento de universidades particulares em pesquisas de larga escala patrocinadas pelo governo federal dos Estados Unidos, data da 2a Guerra Mundial. Naquela þpoca, o New York College abrigou uma divis†o do Projeto Manhattan, que estudou os efeitos de "materiais especiais", como urþnio, plut»nio, berÍlio e flìor, utilizados na fabricaІo da bomba at»mica. Essas pesquisas continuaram no p„s-Guerra, sob os auspÍcios da Comiss†o de Energia At»mica, sucessora do Projeto Manhattan. De acordo com o livro The Cold War and the University, de Noam Chomsky, entre o final da dþcada de 1940 e da dþcada de 1950, atþ 90% de todas as verbas federais para pesquisas em universidades partiram ou do Departamento de Defesa, ou da Comiss†o de Energia At»mica.
A Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester passou, durante essa þpoca, a ser freqôentada por un grande nìmero de cientistas do programa nuclear. Faziam parte do corpo docente o Dr. Stafford Warren, principal oficial mþdico do Projeto Manhattan, e o Dr. Harold C. Hodge, toxicologista e chefe das pesquisas com o fluor do programa da bomba at»mica.
Os estudos secretos do flìor realizados pela Universidade de Rochester, que receberam o nome-c„digo de Programa F, iniciaram-se durante a Guerra e continuaram atþ o inÍcio dos anos 1950. Esses experimentos foram conduzidos no mesmo local (Strong Memorial Hospital) em que ocorrera um dos mais not„rios experimentos de radiaІo em seres humanos de toda a Guerra Fria. Naquele insuspeito hospital, pacientes receberam, sem seu conhecimento, injeзes de plut»nio radioativo. A revelaІo desses experimentos em uma sþrie de matþrias publicadas em um minìsculo jornal do Colorado (tiragem de 35 mil exemplares) rendeu š jornalista Eileen Welsome o Pr¡mio Pulitzer em 1994, alþm de uma indenizaІo multimilionˆria šs famÍlias das vÍtimas.
O objetivo do Programa F n†o era a saìde dos dentes das crianÐas, mas sim fornecer muniІo cientÍfica para uso do governo e empresas particulares envolvidas no programa nuclear, em casos de processos relacionados ao flìor. Tal objetivo encontra-se explÍcito em um relat„rio de 1948: "O fornecimento de evid¡ncias ìteis nos litÍgios gerados pelos alegados danos a plantaзes de frutas hˆ vˆrios anos, deixou uma sþrie de problemas em aberto. Dado que nÍveis excessivos de flìor foram relatados em seres humanos, moradores da mesma regi†o, nosso principal esforÐo tem sido de descrever a relaІo da concentraІo sangôÍnea do flìor com os seus efeitos t„xicos". O problema þ que as pesquisas estavam sendo realizadas por uma parte envolvida: os acusados! O conflito de interesses þ muito claro!
Infelizmente, muitos dos estudos comprovando a seguranÐa do flìor resultaram de pesquisas realizadas por cientistas do Programa F, na Universidade de Rochester. O pr„prio diretor do Programa F era ninguþm menos que o Dr. Harold C. Hodge, aquele mesmo que havia levado a cabo as investigaзes do Projeto Manhattan sobre a toxicidade do flìor na regi†o de Nova Jersey. A Universidade de Rochester emergiu, no perÍodo p„s-Guerra, como a instituiІo acad¡mica lÍder na pesquisa da seguranÐa do flìor, bem como da sua eficˆcia contra as cˆries. O Dr. Harold C. Hodge tornou-se, ao mesmo tempo, um dos principais proponentes da fluoretaІo da ˆgua.
Da mesma forma que o programa da bomba at»mica requereu experi¡ncias com plut»nio em seres humanos, ele tambþm requereu estudos com o flìor. A adiІo dessa substþncia š ˆgua potˆvel forneceria justamente uma oportunidade neste sentido.
Os cientistas do programa nuclear exerceram um papel fundamental no primeiro experimento de fluoretaІo da ˆgua ocorrido na cidade de Newburgh, estado de Nova York. O assim chamado Projeto-DemonstraІo de Newburgh þ considerado o estudo mais abrangente sobre os efeitos da fluoretaІo na saìde, e fornece muitas das provas originais da seguranÐa da utilizaІo de baixas doses da substþncia, para os ossos, assim como sua eficˆcia dentˆria. O planejamento do Projeto iniciou-se em 1943, com a nomeaІo de um Comit¡ Especial da Secretaria da Saìde do Estado de Nova York, cuja miss†o era a de estudar o qu†o prudente seria a adiІo do flìor š ˆgua potˆvel daquela cidade. Detalhe: o chefe do comit¡ era ele - de novo - o Dr. Harold C. Hodge. Entre os demais membros do Comit¡, estavam o mþdico e Capit†o Henry L. Barnett, da divis†o mþdica do Projeto Manhattan, e John W. Fertig, que em 1944 pertenceu ao Office of Scientific Research and Development, criado em 1940 e precursor do Projeto Manhattan. As ligaзes destes indivÍduos com as forÐas armadas foram mantidas em sigilo. O Dr. Harold C. Hodge era "farmacologista", e o Dr. Henry L. Barnett, "pediatra". Por fim, o Comit¡ - como seria de se esperar - recomendou que a ˆgua da cidade de Newburgh fosse fluoretada, selecionou os tipos de estudos mþdicos que seriam realizados, e forneceu a "orientaІo de peritos no assunto" durante toda a duraІo dos estudos.
O chefe do Projeto-DemonstraІo de Newburgh era o Dr. David B. Ast, dentista-chefe da Secretaria de Saìde de Nova York. De acordo com memorandos que deixaram de ser secretos ap„s 50 anos, o Dr. Ast participou de uma confer¡ncia secreta do Projeto Manhattan sobre o flìor em janeiro de 1944, e mais tarde trabalhou lado a lado com o Dr. Harold C. Hodge nas investigaзes do incidente de Nova Jersey.
A quest†o principal a ser respondida pelo Projeto-DemonstraІo de Newburgh era: "Existem quaisquer efeitos cumulativos, benþficos ou n†o, nos „rg†os e tecidos que n†o os dentes, advindos da exposiІo continuada e a longo prazo ao flìor em baixas concentraзes?" Essa tambþm era a quest†o de interesse fundamental para o programa de energia nuclear, uma vez que a fabricaІo da bomba at»mica requeria uma exposiІo longa e continuada n†o apenas de trabalhadores, mas tambþm de comunidades pr„ximas a locais de emiss†o de flìor, durante toda a Guerra Fria.
Em maio de 1945 a ˆgua de Newburgh foi fluoretada, e durante os 10 anos seguintes, seus habitantes foram estudados pela Secretaria da Saìde do Estado de Nova York, e tambþm - secretamente - pelo Programa F. Os estudos enfocavam a quantidade de flìor retida no sangue e tecidos. Amostras de sangue e placenta foram coletadas pelo Dr. David B. Overton, e enviados pela equipe do Programa F š Universidade de Rochester.
O relat„rio final do Projeto-DemonstraІo de Newburgh foi publicado em marÐo do ano de 1956, no Journal of the American Dental Association, volume 52 (Hodge, HC: Fluoride metabolism: its significance in water fluoridation, em Newburgh-Kingston caries-fluorine study: final report). A conclus†o: Em "baixas concentraзes", o flìor þ seguro š populaІo. A comprovaІo biol„gica, "baseada nos trabalhos realizados (...) na Universidade de Rochester", foi fornecida pelo Dr. Harold C. Hodge.
Teriam os estudos de Newburgh, assim como outros estudos de larga escala que se sucederam, com a participaІo de cientistas envolvidos no programa nuclear durante todo o perÍodo da Guerra Fria, suprimido resultados de efeitos adversos š saìde?
Todos os estudos patrocinados pela Comiss†o de Energia At»mica tiveram de receber vers·es liberadas do sigilo antes de serem publicados em revistas cientÍficas civis. Onde se encontram as vers·es originais sigilosas?
Os anais de uma das mais secretas confer¡ncias cientÍficas do perÍodo da 2a Grande Guerra, sobre o "metabolismo do flìor", encontram-se ausentes, atþ hoje, dos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos. Alguns dos participantes desta confer¡ncia, datada de janeiro de 1944, foram personagens importantes na promoІo da fluoretaІo da ˆgua e da seguranÐa do uso do flìor: Harold C. Hodge, David B. Ast, e o dentista Trendley Dean, mais conhecido como o "pai da fluoretaІo".
Encontra-se indisponÍvel, tambþm, um relat„rio sobre fluoretaІo do Projeto Manhattan, datado de 25 de julho de 1944. Os quatro documentos numericamente consecutivos a este tambþm se encontram ausentes, de acordo com a pesquisa dos jornalistas Joel Griffiths e Chris Bryson, que desvendaram a conex†o entre o flìor e o programa da bomba at»mica dos Estados Unidos.
Sete pˆginas foram suprimidas de um livro de anotaзes do programa nuclear, em Rochester, denominado "LitÍgio DuPont".
Os jornalistas acima descobriram a vers†o original, sigilosa, de um artigo que fora publicado em agosto de 1948 no Journal of the American Dental Association. A comparaІo dessa vers†o com a vers†o publicada indicou que a Comiss†o de Energia At»mica dos Estados Unidos censurou uma sþrie de informaзes sobre danos causados pelo fluor, de um modo que seria c»mico se n†o fosse trˆgico. O estudo era sobre a saìde geral e dos dentes de trabalhadores de uma fˆbrica de flìor para o programa da bomba at»mica, e a conclus†o da vers†o publicada foi que tais indivÍduos apresentaram menos cˆries. No entanto, a vers†o sigilosa relata que eles haviam perdido os dentes. Menos dentes, menos cˆries! A vers†o sigilosa diz que os trabalhadores tinham de utilizar botas de borracha na fˆbrica, pois caso calÐassem sapatos, tinham as unhas de seus pþs desintegradas pelo vapor do flìor. A vers†o publicada n†o menciona tal fato. A vers†o secreta conclui que o flìor pode ter exercido aІo semelhante sobre os dentes, contribuindo para que esses trabalhadores se tornassem desdentados. A vers†o publicada omite tal observaІo, e conclui que "os homens se encontravam excepcionalmente saudˆveis, a julgar pelo ponto de vista mþdico e dentˆrio".
Em breve, na Parte 3, voc¡ conhecerˆ os possÍveis efeitos negativos do flìor š saìde. Aguarde.
|