A enxaqueca  
 
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O uso frequente de analgésicos comuns pelos portadores de enxaqueca pode acarretar em dependência.

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Enxaqueca x Aneurisma

Outro dia, numa loja, uma vendedora me reconheceu, e comentou que a irmã dela havia falecido, devido a um erro médico: Fazia tratamento desde a idade de 16 anos, de uma enxaqueca menstrual, quando um belo dia, aos 24, morreu vítima de aneurisma cerebral. Veja: Ela interpretou os sintomas da irmã como tendo sido, sempre, desde o início, sinais do aneurisma. Lamentou que o médico tivesse errado e confundido, por oito anos, o aneurisma fatal, com uma simples enxaqueca menstrual.

Mas não!

Não confundiu. Não errou. Fiz questão de explicar a ela, e no final fiquei contente em haver colaborado para eliminar o senso de injustiça e raiva que assolava, já há alguns anos, o espírito dessa vendedora.

A explicação? Muito simples: O aneurisma não se manifesta assim. Dores de cabeça mensais, pré, intra e/ou pós menstruais, não são, nem de longe, sintoma de aneurisma, e sim, de enxaqueca. A enxaqueca é uma doença muitíssimo comum, afetando um grande número de pessoas (a estimativa é de uma a cada cinco). Assim, pode-se sofrer de enxaqueca e, ao mesmo tempo, de outras doenças, como no caso em questão, o aneurisma. Ter enxaqueca não aumenta as chances de ter aneurisma. São doenças totalmente separadas, distintas, uma da outra. O aneurisma, infelizmente, quase sempre se manifesta de surpresa, de uma vez só, e não com crises dores que vão e vêm ao longo de anos. Simplesmente não havia como o médico em questão “adivinhar” sua presença, com base nos sintomas de enxaqueca daquela paciente.

Pense: Se não se faz exame para detectar aneurisma na população como um todo, e se a chance de um indivíduo enxaquecoso ter um aneurisma é a mesma que um indivíduo qualquer da população, então não há razão de ficar pedindo altos exames para tentar detectar aneurisma num indivíduo que sofre de enxqaqueca. Não existe, e nem se recomenda, para todas as pessoas, nenhum “exame preventivo” de aneurisma. Se a enxaqueca não predispõe ao aneurisma, então não há porque tratar o caso da população de enxaquecosos, de forma diferente do caso da população em geral.

Claro que se houvesse alguma dúvida quanto ao diagnóstico ser ou não enxaqueca, então sim, seria oportuno pedir os exames, que então serviriam para tirar aquela dúvida.

É claro que esse pequeno texto não aborda toda a confusão que pode existir entre enxaqueca e aneurisma. Para um conhecimento mais profundo a respeito do assunto, sugiro a leitura do meu livro, Enxaqueca - Finalmente Uma Saída, da Editora Arx.

 

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