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O uso frequente de analgésicos comuns pelos portadores de enxaqueca pode acarretar em dependência.

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Alerta: Analgésicos comuns podem causar dependência

Está cada vez mais fácil obter um analgésico.

Cobiçado até pelos supermercados para sua venda, cantado em verso e prosa nos comerciais, as pessoas foram adquirindo a impressão de que os analgésicos são, no dizer popular, remédios fracos.

 

Infelizmente, os analgésicos não são este sonho ideal. Uma única dose pode induzir sensação intensa de fraqueza e letargia que dura várias horas, ou então espasmos nos brônquios, crises de asma, inchaço generalizado, urticárias gigantes, reações alérgicas severas, reações anafiláticas, gastrite. Uma única dose, ainda que baixa, pode aumentar bastante o tempo de sangramento de um indivíduo, por até uma semana, por interferir com a função das plaquetas do sangue. O uso regular de analgésicos pode levar anemia e ulceração no estômago. Indivíduos que consomem quantidades abusivas diárias de analgésicos por mais de 3 anos podem desenvolver insuficiência renal, câncer nos rins e bexiga e, mais raramente, supressão da medula óssea levando a uma doença denominada agranulocitose.

Claro que ninguém planeja fazer uso abusivo diário quando compra analgésico pela primeira vez. Mas foi dos cientistas e médicos norte-americanos dedicados ao estudo do tratamento das Enxaquecas e dores de cabeça (causas médicas líderes no ranking de ingestão de analgésicos), que surgiu o grande alerta: O uso freqüente de analgésicos pelos portadores de Enxaqueca e outras cefaléias pode levar ao surgimento de dores de cabeça crônicas, diárias, intratáveis. Essas dores crônicas não cessarão enquanto os analgésicos continuarem a ser tomados. Caso não sejam descontinuados, as dores de cabeça geralmente vão piorando. O grande problema: se a pessoa interromper os analgésicos, a dor piora! Ela então volta a tomar os analgésicos, por não lhe restar opção. E por lhe haver sido eliminada a opção de parar por conta própria, fica configurada, por definição, a dependência da droga.

analgésicosQuantidades cada vez maiores vão se tornando necessárias para se obter o mesmo efeito, num ciclo vicioso, até que o efeito tóxico começa a se aproximar, igualar e até ultrapassar o efeito terapêutico original. O paciente fica, forçosamente, exposto aos riscos anteriormente citados, além de desenvolver dores diárias e contínuas.

Eu atendo diariamente a pacientes de todo o país, que estão ou já estiveram nessa situação de desespero. Pessoas que no passado sofriam de Enxaqueca e num dado momento, viram-se com dores diárias e contínuas de cabeça, tomando até 20 comprimidos de analgésicos ao dia num coquetel. Famílias e carreiras podem ser destruídas assim. O tratamento, felizmente, existe, mas complicado e oneroso. Muito melhor prevenir. Estima-se cerca de 30 milhões de enxaquecosos no Brasil, expostos a esse problema de saúde pública. Analgésicos são importantes. Não poderíamos tratar as dores do mundo sem eles. Porém, como qualquer remédio, só deveriam ser tomados com supervisão médica.

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