Enxaqueca – A Eterna Confusão entre Causas e Desencadeantes

Uma pena que a mensagem principal da maioria dos livros sobre enxaqueca, médicos de enxaqueca, reportagens e artigos jornalísticos a respeito dos fatores desencadeantes de enxaqueca, seja no sentido de descobrir quais os fatores que a desencadeiam, a fim de que se possa evitar esses fatores. Na minha opinião isso pouco acrescenta ao benefício do portador de enxaqueca.

Você que sofre de enxaqueca provavelmente concorda comigo quando afirmo que a maioria dos enxaquecosos já conhece muito bem aquilo que pode engatilhar suas crises. Além disso, muitos portadores de enxaqueca simplesmente não têm suas crises desencadeadas por nenhum fator em particular!

Pior ainda, creio eu, são aquelas listas já prontas de possíveis desencadeantes de enxaqueca que se divulgam como se fossem os principais culpados da enxaqueca em todo mundo: frutas cítricas, banana, mamão, castanhas e até feijões podem constar nessas listas, além do chocolate, vinho tinto, salsichas e embutidos, entre vários outros.

Na minha visão, o mais importante papel exercido pela alimentação, sono, atividade física, equilíbrio hormonal e estilo de vida como um todo na enxaqueca, está na sua influência sobre o equilíbrio e desequilíbrio de substâncias químicas cerebrais como a serotonina, dopamina e adrenalina; hormônios como o estradiol, progesterona e cortisol; e neuro-hormônios como a melatonina, prolactina e hormônio do crescimento – todas envolvidos, de uma forma ou de outra, na causa da enxaqueca. E isso nada tem a ver com alimentos que possam eventualmente desencadear enxaqueca!

Muitos alimentos ou outros fatores do estilo de vida podem nunca ter desencadeado uma única crise em você – mas podem exercer, sim, influência, e muita, no desequilibrio neuroquímico e hormonal que causa a manifestação genética da doença enxaqueca. E uma vez manifesta a enxaqueca, ela poderá ser desencadeada por alimentos ou fatores que pouco ou nada influenciam a sua causa (o desequilíbrio neuroquímico). Apenas desencadeiam as crises em indivíduos que já têm o desequilíbrio neuroquímico (desequilíbrio este que pode ter sido grandemente influenciado por alimentos e fatores que o indivíduo nem sequer desconfia, e que podem ser diferentes daqueles que eventualmente lhe desencadeiem enxaqueca!).

Alimentos ou fatores de estilo de vida capazes de desencadear, em certas pessoas, crises de enxaqueca, podem não estar por trás da causa do problema, e até ser saudáveis (como frutas, queijos, praticar esportes) – ou então serem tantos, que para evitá-los seria preciso viver dentro de uma bolha!

É sobre como influenciar aqueles fatores causais (e não meros desencadeantes) que eu escrevo detalhadamente nas mais de 300 páginas do meu livro, Enxaqueca – Só Tem Quem Quer, cuja leitura recomendo a todos vocês, de coração!
(Quer ler as primeiras páginas do meu livro agora mesmo? Coloquei-as à disposição de todos. Basta clicar aqui!)

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14 Responses to Enxaqueca – A Eterna Confusão entre Causas e Desencadeantes

  1. buxi says:

    Ola, reparei que aconselham a retirar glutamato e aspartame. Mas também reparei que as exaquecas nao desapareciam por completo nos testemunhos. Talvez voces nao tenham conhecimento de uma coisa que descobri há uns tempos.

    O glutamato pode não aparecer no rotulo com a palavra mesmo glutamato, porque so sao obrigados a meter glutamato se tiver uma percentagem alta, se tiver cerca de 70% aparece com outros nomes. Fiz um site onde coloquei alguns dos nomes utilizados a que chamo “sinonimos de glutamato” entre entre eles: Proteina hidrolizada, extracto de malte,maltodextrina,dextrose,etc, Vejam no site que deixei.

  2. Pingback: Dr Alexandre Feldman

  3. Paula Camargo says:

    Dr. Feldman, li as primeiras páginas do livro e me vi ali, descrita! Hoje consigo na maioria das vezes, conviver com a dor, trabalhar (sou fisioterapeuta e muitas, muitas vezes estou eu com dor, amenizando as dores de outras pessoas), sou casada e quantas vezes estou com dor e não falo pro meu marido, porque se falar todas as vezes que estou com enxaqueca, vou me transformar na mulher mais chata do mundo!!! É simples assim, tomo alguns tipos de medicamentos potentes, me sinto mesmo dopada e não perdemos os compromissos sociais! Mas tenho piorado sabe? E portanto estou determinada a buscar alternativas que atuem de fato e não paliativos! Sei que já deve ter ouvido milhares de histórias parecidas com a minha… mas não resisti em falar de mim… já que enfim, encontrei alguém que entende de verdade o problema! Obrigada mais uma vez!

  4. Paula Camargo says:

    Dr. Feldman, tenho 33 anos e desde os 12 tenho enxaqueca, já fiz tratamento com antidepressivos, ansiolíticos, etc… que me ajudaram muito, porém, temporariamente.Pra mim está muito claro que minha enxaqueca está ligada às emoções, ansiedade, preocupação, responsabilidades, etc. Por isso, estou determinada a procurar agora, outro tipo de intervenção que não seja medicamentos. Assim ,vou logo adquirir o seu livro, me ligar mais espiritualidade, no sentido de tentar alcançar mais paz comigo mesma. Gostaria de sua opinião sobre a importância de uma atividade aeróbica regualar, pois na minha última ida a um neuro, ele me disse que isso não contribui para a melhora da enxaqueca. Obrigada pela atenção e pela luz no fim do túnel!

  5. Debora Diana says:

    Dr. Alexandre, sou uma paciente virtual eternamente grata pelas suas orientações, que me livraram da enxaqueca. Tenho uma dúvida que gostaria de esclarecer sobre antidepressivos…se as pessoas tem esses desequilibrios de substâncias neuroquímicas muitas vezes causadas pelos excessos de nossa alimentação (grãos, farinha branca, açucar), por que muitas pessoas que tomam antidepressivos se sentem bem? Como as mesmas orientações de seu livro serviriam para pessoas com depressão? Gostaria de argumentar com uma pessoa que tem o problema…e tentar ajudar.
    obrigada,
    Debora

    • Olá Debora, obrigado pelas suas palavras de carinho. Eu abordo bem esse tema no meu livro. O que acontece, segundo a hipótese que proponho, é um excesso de serotonina, provocado pelo nosso estilo de vida, acompanhado de uma resistência (“ensurdecimento”) dos receptores de serotonina, de modo a criar sintomas de falta de serotonina, como depressão e enxaqueca.

      Assim, antidepressivos e outras drogas que agem elevando os níveis de serotonina fazem efeito (afinal os sintomas são de serotonina baixa), mas apenas temporariamente (pois seria apenas uma questão de tempo para os receptores se readaptarem à nova realidade).

      Minha opinião? Por mais que você queira ajudar, argumentando com alguém, não o faça. Deixe-a buscar a informação por si própria, quando ela estiver pronta, disposta e motivada para isso. Hoje em dia, com o Google, a informação está ao alcance de todos os que a desejam.

  6. Denis Oliveira says:

    Dr Feldman, o que acha do uso da medicina ortomolecular para tratar a enxaqueca?

    • Denis, prefiro a Medicina do Estilo de Vida, sobre a qual escrevo no meu livro.

  7. Aldo Gomes says:

    Dr. Feldman, neste momento estou com uma crise de enxaqueca moderada há quase 72 horas e sei perfeitamente que a causa não tem nada a ver com alimentação, pois trata-se sim desses desequilíbrios neuroquímicos.
    Não sei o que fazer… Vou comprar o seu livro e assim ver se consigo lidar melhor com isso!
    Parabéns pelo trabalho

  8. Erica Valeska Madeira de Campos says:

    Prezado Dr. Feldman, agora, sim! As dúvidas foram sanadas quanto às causas e aos desencadeantes da enxaqueca. Obrigada pela sua dedicação à pesquisa. Um abraço fraterno, Érica Madeira.

  9. Nivaldo Bonasio says:

    Em poucas palavras: depois de ter passado por neurologista, massagista, acupunturista, clinico, tomado medicamentos anti-depressivos, etc, passar até 36 h na cama sem poder ver luz, se alimentar, ouvir barulho ou sentir odores,consegui reduzir em mais de 70% as crises de enxaqueca, mudando os hábitos de alimentação, pensamentos e atitudes. Equilibrando o corpo com minerais e vitaminas, equilibrando o sistema nervoso evitando preocupações e desejos desnecessários, se apegando mais às coisas do espírito e da fé, equilibrando os neurotransmissores com medicamentos e alimentação adequada e cuidando para não acumular toxinas nos intestinos, com o equilibrio da flora.

  10. katia says:

    Ola Dr. Alexandre,
    Muito bom este artigo, e concordo plenamente com tudo. Ja fui em mtos médicos e acho q eles nao sabem bem o q é a enxaqueca. Como o sr. disse todos nós enxaquecosos sabemos bem o q desencadeia a crise, mas o q queremos é saber a causa principal, que eu sempre achei que fosse um desequilíbrio neuroquímico.

    Nao sei como se detecta estes tipos de desequilibrios neuroquimicos, se são através de analises sanguineas ou nao. Mesmo assim qdo eu ia ao médico e dizia que tinha a enxaqueca ao fim do periodo menstrual, pensava que isto era uma boa dica para ele saber; mas tudo q eu obtive foram prescrições de anticoncepcionais diversos e ansioliticos, os quais confesso nunca me agradou a ideia de os tomar.
    Enfim, parabens por + este brilhante artigo que nos elucidou mtas duvidas.
    Kátia

  11. Pingback: Marcelo Cesa

  12. Pingback: Dr Alexandre Feldman

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